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O inchaço dos partidos da base aliada no primeiro mandado
do governo Lula, causado pela migração dos deputados
ditos “infiéis”, atraídos pelo mensalão
e outras benesses palacianas, é sintoma de uma doença
que tem na reforma política seu melhor antídoto. Mas
a maioria dos políticos brasileiros fechou os olhos para
o remédio indicado para essa enfermidade que põe em
xeque as instituições democráticas da República.
Abriram mão da urgência da reforma e optaram por permanecer
acomodados e confortáveis em um sistema político movido
a negociatas.
Diante dessa inércia,
a iniciativa partiu então do poder Judiciário. O guardião
da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal
(STF), foi quem deu o primeiro passo quando julgou a questão
da fidelidade partidária, no último dia 04: por oito
votos a três, ficou decidido que o mandato pertence ao partido
e não ao parlamentar eleito pelo sistema proporcional, que
elege vereadores e deputados estaduais e federais.
Agora o partido pode requerer
junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a devolução
do mandato do parlamentar que mudou de legenda depois do dia 27
de março de 2007. A Justiça, porém, deixou
duas válvulas de escape: nos casos em que o parlamentar é
perseguido ou quando o partido pelo qual foi eleito muda de programas
e idéias.
Câmara
Municipal
Em Taubaté, existem
dois casos emblemáticos. O vereador Jéferson Campos,
por exemplo, saiu do Partido dos Trabalhadores assim que foi aprovada
pela direção local uma aliança com o prefeito
Roberto Peixoto (PMDB), a quem fazia e faz ferrenha oposição
devido ao desastre administrativo de seu governo.
Na outra ponta, Henrique Nunes,
eleito pelo PPS e articulador da base de sustentação
do Palácio do Bom Conselho, na Câmara Municipal, migrou
para o Partido Verde, que não tinha nenhum representante
no Legislativo. Curiosamente, o PV passou a contar com dois vereadores
com posições antagônicas frente ao Executivo.
Essa inusitada situação
poderá ter desdobramentos imprevisíveis. A posição
mais consensual apurada por nossa reportagem é que Henrique
Nunes corre o risco de perder seu mandato, caso seu ex-PPS venha
requerê-lo na Justiça. O risco de Jéferson Campos
seria bem menor porque foi o PT, seu ex-partido, que mudou de postura.
Confira abaixo a situação e a posição
dos vereadores frente a essas mudanças.
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VEREADORES
E A FIDELIDADE PARTIDÁRIA
1)
ÂNGELO FILIPPINI foi eleito e continua no PSDB. Sobre a
lei: “Sou perfeitamente favorável ao fim das coligações
partidárias. O PSDB, PPS, DEM têm o dever moral de
não fazer coligações com partidos de ideologias
diferentes.”
2) CARLOS PEIXOTO foi eleito pelo PSC e mudou para o PMDB, em
setembro de 2006. Motivo: “Era o partido da família.
Eu recebi o convite e aceitei”. Sobre a lei: “Justa.
A decisão foi justa”.
3) LUIZ GONZAGA SOARES foi eleito pelo PP e mudou para o PR logo
no início do mandato, em 2005. Motivo: Não se manifestou.
Sobre a lei: “O Congresso poderia ter feito isso há
muito tempo e agora vai ter que acatar uma ordem judicial”.
4) MARIA DAS GRAÇAS foi eleita pelo PTC, esteve no PFL
(atual DEM) e agora está no PSB. Motivo: “Nunca recebi
nenhum telefonema para nenhuma reunião”. Sobre a
lei: “Acho muito boa. É o primeiro passo para que
o Congresso resolva a situação política do
país. É o pontapé inicial para a tão
esperada reforma política”.
5) HENRIQUE NUNES foi eleito pelo PPS e mudou para o PV, em setembro.
Motivo: acordo com os partidos/coligação. Sobre
a lei: “Não é lei ainda, é uma decisão
do Supremo. O Congresso está omisso. Eu estou há
8 anos no mesmo partido. Acho que deve ter um prazo mínimo
[de permanência na legenda]”.
6) MARIA TEREZA PAOLICCHI foi eleita e continua no PSC. Sobre
a lei: “Temos que ter fidelidade partidária, quando
o próprio partido apóia o vereador. Quando o partido
não está próximo de você, mas apenas
na hora da campanha [deve existir a liberdade de mudança]”.
7) MARIA GORETE TOLEDO foi eleita pelo PMN, esteve no PSDB e voltou
ao PMN. Sobre a lei: “Tem que fazer prevalecer, desde que
o partido mantenha seu compromisso e ideologia”.
8) RODSON LIMA foi eleito pelo PP, mudou para o PSC e agora está
no PP. Motivo: “Quem tem nome, tem medo”. Sobre a
lei: “Certíssimo. Tudo o que é combinado antes,
é válido”.
9) POLLYANA GAMA foi eleita e continua no PPS. Sobre a lei: “Acima
de tudo, devemos obedecer aos princípios de ideologia,
de identidade com o partido. Por isso continuo com o PPS. Se o
partido mudar, devo ter a liberdade de procurar [outro]”.
10) JEFFERSON CAMPOS foi eleito pelo PT e mudou para o PV, em
setembro. Motivo: “O PT fez uma opção de aliança
a Peixoto. Eu mantive minha coerência e saí”.
Sobre a lei: “É muito importante. Principalmente
nas exceções”.
11) FRANCISCO SAAD foi eleito e continua no PMDB. Sobre a lei:
“Sou favorável. Deve haver condições
para o vereador discordar das atitudes do partido e mudar.”
12) ORESTES VANONE foi eleito e continua no PSDB. Sobre a lei:
“Quando candidato e partido têm a mesma ideologia,
deve-se procurar manter a fidelidade. Mas em alguns casos, deve
dar a possibilidade ao vereador de fazer a mudança”.
13) ARY KARA FILHO foi eleito e continua no PTB. Sobre a lei:
“Futuramente sim, deve-se manter a fidelidade partidária,
para acabar com esse “pula-pula” de partido, mas cada
caso deve ser julgado separadamente”.
14) WILSON VIEIRA DE SOUZA (substituto VALDOMIRO SILVA) foi eleito
pelo PL e agora está no PSDB. Motivo: “Sou um tucano
que se desgarrou e agora voltei a meu status quo”. Sobre
a lei: “Tudo tem que ser feito com programação.”
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