Diretor de Obras dá sua versão
Gerson Araújo, titular do Departamento de Obras Públicas da prefeitura, procurou nossa redação para reclamar da manchete da capa da última edição, “Mais um flagrante”, que mostra homens, máquinas e viaturas da prefeitura executando serviços na calçada da sua residência, na terça-feira, 25 de setembro

Por Marcol Limão

 

 

Jornal CONTATO: A reportagem publicada é mentira ou é verdade?
Gerson Araújo:
O que está dentro das páginas é um trabalho jornalístico muito bom. Eu tenho a elogiar [o repórter] pelo seu serviço. Não tenho nenhum queixa do trabalho jornalístico de dentro do jornal. O que me preocupa, e que pode dar alguma queixa do trabalho jornalístico, é a manchete. A manchete fala de um flagrante. Existe uma defesa da minha parte: não houve flagrante [porque] é um trabalho feito a luz do dia, imóvel situado no centro da cidade, foi feito dentro de uma programação normal da prefeitura. Eu estou fazendo o reparo de um trabalho não executado pela Sabesp ou, se foi executado, não foi executado a tempo. É um trabalho usual feito pela prefeitura em contato com a Sabesp.

JC: O sr. se sentiu lesado pelo teor da manchete?
G.
A: Exatamente. O teor da manchete pode dar a conotação que eu estou fazendo o mau uso do dinheiro público. Isso não é verdade. Isso está sendo feita dentro de uma programação. Dentro de uma responsabilidade. E é obrigação minha, como diretor de Obras, fazer uma fiscalização muito honesta do dinheiro público. Tudo o que está sendo feito e retratado na matéria é um serviço usual feito para qualquer cidadão de Taubaté.

JC: Se a obra fosse feita em outro bairro, ou em outra casa, o serviço seria tão eficiente, tão rápido, como foi na sua casa?
G. A:
Com certeza. Isso é um serviço executado usualmente, isso é, diariamente nós estamos fazendo esse tipo de serviço. Nós temos a obrigação de fazer este atendimento ao povo. O cidadão não pode ficar sem esse tipo de serviço. É um trabalho executado pelo Departamento de Obras. É um trabalho executado pelas empreiteras da Sabesp, elas têm contrato com a Sabesp. Volto a repetir, é um trabalho diário, usual e perfeitamente dentro do cronograma e totalmente lícito, não tem nada de desvio de dinheiro público ou malversação do dinheiro público.

 

JC: Com funciona a parceria informal entre a prefeitura e a Sabesp?
G. A:
A Sabesp tem contrato com as empreiteiras. No caso de uma calçada, quando se mexe na rede de esgoto, é feito uma abertura em torno de 60 a 80 cm. Mas, normalmente, a calçada tem um metro e meio, dois metros [de largura]. Então, cabe à prefeitura, em parceria informal com a Sabesp, [isso] pode ser perfeitamente comprovado, refazer este serviço. Nós temos pessoas que fazem esse tipo de serviço. A Sabesp teria que refazer 60 cm, quando a calçada tem um metro e meio. Ficaria uma colcha de retalho. Para não ficar um serviço sujo, existe a intervenção da prefeitura, exatamente para deixar o serviço limpo e de boa qualidade. Mas isso é um serviço feito a todos os cidadãos taubateanos.

JC: Quem controla essa troca de serviço entre a prefeitura e a Sabesp?
G. A:
Existe um engenheiro fiscal da obra. [Para] Todo contrato da Sabesp ou do Departamento de Obra existe o fiscal responsável por cada setor. Existe esse contrato informal. No final do mês, “é fechado”, entre aspas, “é fechado” um balanço do serviço executado pela prefeitura ou pela Sabesp.

JC: Então, todo final de mês tem um balanço de quem fez o quê?
G. A:
Todo final do mês a gente faz um balanço para acertar as parcerias dos serviços [executados]: o que a Sabesp fez e o que a prefeitura fez. Tanto na parte de calçada, quanto na parte de asfalto. Quando há intervenção na rua, a gente faz alguma parceria. Às vezes, a prefeitura fornece o asfalto e às vezes é a Sabeps que fornece o asfalto. A gente faz essa compensação.

JC: Há quanto tempo existe essa parceria informal?
G. A:
Desde que [existem] os contratos do sistema da ETE [Estação de Tratamento de Esgoto] e do sistema de coletor de esgoto. Essa parceria [existe] a partir dessa administração para que não fique mais buraco, mais colcha de retalhos, mais remendo. Só para concluir, eu gostaria que não ficasse a conotação de um serviço particular na frente da casa do diretor [de Obras Públicas da prefeitura].
(Leia mais em Temperos da Tia Anastácia, pág 3)