O
último dia 19 de setembro foi especial para os jornalistas
da revista IstoÉ. Depois de um longo e tenebroso inverno,
finalmente a revista voltou a dar um furo de reportagem. Pouca
gente se lembra, mas foi a matéria “Os documentos
do mensalão mineiro”, assinada por Alan Rodrigues
e Hugo Marques, que colocou Walfrido dos Mares Guia e Aécio
Neves ao lado de Renan no topo da página. O único
jornal que não esqueceu de dar os devidos créditos
à revista foi o Estadão.
Para relembrar o trajeto e
entender de quem é a paternidade desse furo conversei com
alguns jornalistas da Editora Três, que publica Istoé.
Eles estão especialmente chateados com a Globo, Record
e a Folha de S.Paulo.Com as emissoras, porque elas simplesmente
ignoraram a matéria que deu origem a série. Com
a Folha porque teria pisado duplamente na bola. Na primeira matéria
o jornal ignorou que foi a revista quem conseguiu, em primeira
mão, o relatório da Polícia Federal. No dia
seguinte, o colunista e observador midiático Nelson de
Sá, da coluna “Toda Mídia”, deu crédito
ao site “Consultor Jurídico” pelo furo. Leonardo
Attuch, editor da IstoÉ Dinheiro, não gostou: “O
site repercutiu a matéria da IstoÉ”, diz.
Já o “Consultor
Jurídico” tem outra versão. Afirma que a matéria,
publicada por Cláudio Tognolli, é fruto de apuração
própria. “Tivemos acesso ao relatório da PF.
Não repercutimos nada”, rebate Priscila Costa, repórter
do portal.
Confusão à parte, o fato é que a Record e
a Globo ignoraram os dois. Trataram o caso como se ele tivesse
brotado do nada. O curioso é que a Globo nunca deixou de
citar o furo da Veja no caso Mônica Veloso.
“A IstoÉ tem
apanhado dos colegas (jornalistas) de jeito desleal há
muito tempo. A editora está com problemas há quatro
ou cinco meses, mas está em um processo de recuperação
muito bom. E agora ninguém dá o crédito pela
matéria. Apesar da crise interna estamos resolvendo bem
(os problemas) e mostrando força editorial. Está
na hora de um outro olhar para a IstoÉ. A revista está
voltando a marcar seus gols”, desabafou Leonardo Attuch
para o repórter Marlon Maciel, da revista IMPRENSA e ex-CONTATO.
Pelos menos entre os assinantes
e leitores fiéis da IstoÉ, o furo foi reconhecido.
Dezenas de cartas chegaram na redação comemorando
o feito.
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Resumo da ópera
O
vazamento do relatório sobre o “Mensalão Mineiro”
deixou a Polícia Federal irritada. Já existe uma
investigação interna em andamento. Sabe-se, por
enquanto, que não foi a mesma fonte que vazou o caso para
a IstoÉ e “Consultor Jurídico”. Sabe-se,
também, que existe muito mais nitroglicerina reservada
para os próximos capítulos.
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