O “mensalão mineiro” e o crédito da IstoÉ

Por Pedro Venceslau


      O último dia 19 de setembro foi especial para os jornalistas da revista IstoÉ. Depois de um longo e tenebroso inverno, finalmente a revista voltou a dar um furo de reportagem. Pouca gente se lembra, mas foi a matéria “Os documentos do mensalão mineiro”, assinada por Alan Rodrigues e Hugo Marques, que colocou Walfrido dos Mares Guia e Aécio Neves ao lado de Renan no topo da página. O único jornal que não esqueceu de dar os devidos créditos à revista foi o Estadão.
      Para relembrar o trajeto e entender de quem é a paternidade desse furo conversei com alguns jornalistas da Editora Três, que publica Istoé. Eles estão especialmente chateados com a Globo, Record e a Folha de S.Paulo.Com as emissoras, porque elas simplesmente ignoraram a matéria que deu origem a série. Com a Folha porque teria pisado duplamente na bola. Na primeira matéria o jornal ignorou que foi a revista quem conseguiu, em primeira mão, o relatório da Polícia Federal. No dia seguinte, o colunista e observador midiático Nelson de Sá, da coluna “Toda Mídia”, deu crédito ao site “Consultor Jurídico” pelo furo. Leonardo Attuch, editor da IstoÉ Dinheiro, não gostou: “O site repercutiu a matéria da IstoÉ”, diz.
      Já o “Consultor Jurídico” tem outra versão. Afirma que a matéria, publicada por Cláudio Tognolli, é fruto de apuração própria. “Tivemos acesso ao relatório da PF. Não repercutimos nada”, rebate Priscila Costa, repórter do portal.
Confusão à parte, o fato é que a Record e a Globo ignoraram os dois. Trataram o caso como se ele tivesse brotado do nada. O curioso é que a Globo nunca deixou de citar o furo da Veja no caso Mônica Veloso.
      “A IstoÉ tem apanhado dos colegas (jornalistas) de jeito desleal há muito tempo. A editora está com problemas há quatro ou cinco meses, mas está em um processo de recuperação muito bom. E agora ninguém dá o crédito pela matéria. Apesar da crise interna estamos resolvendo bem (os problemas) e mostrando força editorial. Está na hora de um outro olhar para a IstoÉ. A revista está voltando a marcar seus gols”, desabafou Leonardo Attuch para o repórter Marlon Maciel, da revista IMPRENSA e ex-CONTATO.
      Pelos menos entre os assinantes e leitores fiéis da IstoÉ, o furo foi reconhecido. Dezenas de cartas chegaram na redação comemorando o feito.




  Resumo da ópera

      O vazamento do relatório sobre o “Mensalão Mineiro” deixou a Polícia Federal irritada. Já existe uma investigação interna em andamento. Sabe-se, por enquanto, que não foi a mesma fonte que vazou o caso para a IstoÉ e “Consultor Jurídico”. Sabe-se, também, que existe muito mais nitroglicerina reservada para os próximos capítulos.