Daqui do paraíso...

“No te amo como si fueras rosa de sal/Topacio/O flecha de claveles que propagam el fogo/Te amo como se amam ciertas cosas oscuras/Secretamente, entre la sombra y el alma”. (Pablo Neruda)


      Fim de semana de sol, no embalo da estação mais romântica do ano, é impossível ficar “guardada” entre quatro paredes, sem se sentir claustrofóbica e ansiar por um ar mais puro. Pensando nestes dias quentes e tão azuis, que em nosso confuso país são muitos, e talvez por ter lido uma matéria sobre Frida Kahlo – primeira hippie-chic do mundo, com seu gosto pelo exótico sofisticado, pela coragem das cores e pela ousadia da estética, me vi tomada por uma necessidade imensa de celebrar a natureza, com o verde de suas plantas, o colorido intenso das nossas flores e a saudade doída das construções avarandadas de nosso Brasil colônia, com seus canteiros e bancos, onde se podia sentar e relaxar.
      O mundo contemporâneo com seus espigões brotando do solo tal qual erva daninha nos afastou destes vastos núcleos verdes. Quando acordamos para tal realidade, os canteiros haviam desaparecidos, muitas espécies de árvores estavam irremediavelmente comprometidas e com elas aquela umidade gostosa do ar que, mesmo nos dias mais quentes, respirávamos com prazer. O planeta mudou, a natureza pede socorro, o estrago já está feito.
      Graças ao alerta dos ecologistas, voltamos pouco a pouco a dar o devido valor ao verde. Em casa ou apartamento, as varandas tornaram-se espaços mais do que cobiçados, verdadeiros luxos com promessas de um pouco de sonho e água fresca. À sombra de seu telhado, nos dedicamos ao lazer mais puro: a conversa fiada com cafezinho à volta de pequena mesa ou gostosa espreguiçadeira. Mesmo que seja estreito e acanhado, um terraço sempre nos oferece uma fatia do céu, um bocado de sol e o sopro de uma brisa ao entardecer. Cercar-se de plantas e flores, se não redime, ao menos refresca a alma e a consciência.


•O fogo que arde: Que tal uma varanda muito colorida, com paredes em tom vibrante, alguns toques Kitsch, com referências religiosas, sagrados corações, vasos de pimenta, bancos com decapê e gastos, arranjos com rosas vermelhas e almofadas florais acompanhadas de cestos multicoloridos.
•Ponto a ponto: As varandas acabaram galgando cada andar dos apartamentos, ainda que não se descortinem para os matizes de verdes e azuis de mares e montanhas, e sim para o vizinho logo à frente, pedem que sejam informais e confortáveis.
•Sem pedir demais: O lugar que já foi reinado absoluto das redes e das cadeiras de balanço, incorporou um item insuspeito: a Tina de Ofurô. Se observar a cidade do alto é corriqueiro, contemplá-la com o corpo imerso em água quente, é puro sonho.
•Quem tem uma boa imaginação sente até o perfume das flores: Se for de todo impossível cultivar um jardim natural, vire-se com arranjos artificiais de ótima qualidade. Escolha as mais naturais, independente do tipo.
•Meu sangue latino: Um mundo colorido, irreverente, sem preconceito, com muito respeito, onde a inveja fica bem longe. No lugar de pimenteira, guiné, sal grosso e figa vermelha, que tal a docilidade explosiva de lindas rosas carmim!