A primeira tentativa para a
criação de uma universidade
no Brasil

Mestre Marmo nos contempla com um pequeno fragmento de uma história que ele tirou lá do fundo do baú: o papel dos jesuítas na criação de uma universidade a partir do Colégio da Bahia, lá pelos idos do século XVII

Colégio dos Jesuítas foi à única instituição formal de ensino nos primeiros 250 anos da história do Brasil

      O objetivo dos jesuítas no Brasil era a catequese de adultos, crianças e jovens através da educação. Assim, no primeiro século de colonização três colégios foram criados no Brasil: os colégios da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco. O colégio da Bahia dispunha de uma notável biblioteca que, mesmo tendo sido desfalcada pelos holandeses, no final do século XVII contava com cerca de 3000 livros.
      Esses colégios, além das dependências internas de uso privativo - possuíam celas, cozinha, copa, refeitório e oficinas - também havia horta e pomar, e ainda farmácia (botica), biblioteca e enfermaria, que atendiam ao público externo.
      Durante a fase imperial foram apresentados vários anteprojetos tentando criar universidades. Em verdade, foram quarenta e dois anteprojetos ou quarenta e duas tentativas. Mas, alguns historiadores consideram o ano de 1600, como sendo o marco inicial dos debates para a criação de uma universidade no país.
      A primeira tentativa para a criação de uma universidade em nossa pátria ocorrera no século XVII, por iniciativa dos jesuítas inacianos, exatamente no Colégio da Bahia . Naquela oportunidade fora redigida uma petição pela Câmara de Salvador, em 20 de Dezembro de 1662 e, enviada à metrópole por intermédio do Procurador do Estado do Brasil.

      Na petição à Câmara de Salvador, os jesuítas e parte da população de Salvador desejavam que os cursos de Artes e de Teologia, ambos ministrados pelo Colégio da Bahia, fizessem parte de uma universidade e fossem reconhecidos pelas leis de Portugal. Eles pretendiam a equiparação à Universidade de Évora. O que foi rejeitado pelo monarca.
      No ano seguinte, isto é, em 1663, chegara à Corte um outro documento também subscrito pela Câmara de Salvador reiterando o documento anterior, porém, desta vez, requerendo a equiparação dos cursos à Universidade de Coimbra. Este segundo documento também fora rejeitado pelo Rei de Portugal.
      O Colégio da Bahia teve no século XVIII uma Faculdade de artes e ciências. Naquela época, o reitor daquele Colégio já dizia que o mesmo era o único Geral dos Estudos de todas as artes e ciências, que costuma ensinar a Companhia”. A designação Geral dos Estudos fora usada em Portugal de então para expressar uma universidade.
      Esse fato nos faz conjecturar que, para os inacianos, o Colégio da Bahia era uma universidade. Em verdade, aquele Colégio concedera a seus alunos graus de mestre em Artes e até o grau de doutor.