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Semana
passada, CONTATO divulgou que a administração da Praça
Santa Terezinha tinha sido entregue para uma ONG, a GASE - Grupo
de Assistência para Saúde e Educação
- que não tinha e não tem qualquer familiaridade com
esse tema. Exceto saber muito bem quanto cobrar pelos painéis
que ali serão afixados com publicidade de algum produto.
Não importa qual seja.
Curiosamente, na sexta-feira,
14, a praça mais charmosa da cidade foi literalmente invadida
por camionetas, jipes e caminhões que seriam utilizados no
rally que ocorreu na fazenda Guasai onde deverá ser construído
autódromo. O que será que a praça tem a ver
com as três etapas de 51 quilômetros sendo duas em sentido
horários e uma em sentido ante-horário?
Mas toda Taubaté sabe
que Marco Antônio da Souza, o Marcão da equipe Cachorrões,
é o presidente da GASE e tem tudo a ver com rally. E, na
primeira semana como gestor formal, a Praça santa Terezinha,
é invadida por essas máquinas que nada têm a
ver com aquele espaço bucólico e agradável
freqüentado por pessoas de todas as idades que gostam da caminhar
ou simplesmente admirar suas árvores e seus pássaros.
Nossa reportagem flagrou a falta
de respeito desse pessoal. Os veículos foram colocados sobre
as áreas verdes e até mesmo na porta da igreja, quase
impedindo a entrada de fiéis.
Terra
de ninguém
Ninguém tem nada contra
a prática de rallys. Muito pelo contrário. Moradores
consultados afirmam apenas que os veículos deveriam ser apresentados
em outro local. E é aí que a coisa pega.
Passado o susto, nossa reportagem
foi tentar apurar quem teria autorizado o uso da Praça Santa
Terezinha para aquele tipo de atividade. Pelas barreiras levantadas
e pelo uso de fitas que só o pessoal do trânsito usa,
a primeira e óbvia conclusão é que o evento
foi autorizado pela prefeitura. Quiçá pela Autoridade
de Trânsito, como se auto-intitula o ainda diretor dessa pasta,
Carlos Eugênio Monteclaro César.
O assessor de comunicação
da prefeitura, Carlos Alberto Silva, consultado por nossa reportagem,
revelou total desconhecimento a respeito do evento. Prometeu se
informar, mas até o momento do fechamento dessa edição
ele não retornou nossa solicitação, mesmo tendo
mais de três dias de prazo para faze-lo.
Ralf Leite, membro da equipe
da área de cultura e meio ambiente, afirmou que não
teve nada a ver com o evento e que ele esteve por lá porque
gosta daqueles tipos de veículos que estavam em exposição.
E arrematou: “O responsável seria o Anderson [Ferreira,
diretor do departamento de Cultura e meio Ambiente], mas, como ele
se encontra em lua de mel, deve ter sido outra pessoa que autorizou”.
Marco Antônio de Souza,
o Marcão da equipe Cachorrões e presidente da GASE,
gestora nomeada por decreto pelo prefeito, negou de pés juntos
ter qualquer responsabilidade sobre aquela feira, mesmo se tratando
de veículos para rallys.
Diante do silêncio e negativas,
só resta uma única e triste conclusão: a Praça
Santa Terezinha é – ou caminha para ser - terra de
ninguém.
Festas
devastadoras
Em 2006, segundo moradores do
entorno da Praça Santa Terezinha, as festas julina e da santa
que dá nome àquele espaço público causaram
enormes transtornos e prejuízos. Naquelas ocasiões,
o espaço teria sido terceirizado por um empresário
de Caçapava de nome Osvaldo que alugou espaços para
o comércio ambulante. Centenas de barracas invadiram a Praça.
Os banheiros químicos não deram vazão e no
dia seguinte eram despejados nas bocas de lobo e nos meios fios
das ruas.
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Duda
Matos, gerente da area de Cultura, de costas, conversa com moradores
do entorno da Praça Santa Terezinha sobre os eventos que
deverao marcar o inicio da primavera.
As
árvores e outras plantas foram agredidas por todos os meios.
Os ambulantes não se inibiam quando arrancavam galhos e
plantas ainda pequenas. O gramado precisou de muitos meses para
se recuperar. E a vizinhança ainda teve de suportar cenas
de orgias, brigas, tiros e muitos bêbados atormentando vida
de todos por muitos e muitos dias.
Graças à mobilização
e a ainda precária organização dos moradores
e usuários da Praça, a festa julina foi suspensa
esse ano. Mas ainda é muito grande o temor sobre o que
poderá ocorrer com a festa de Santa Terezinha, em outubro.
Na
próxima edição, CONTATO publicará
reportagem e entrevista com moradores que se organizaram para
tentar conservar a Praça Santa Terezinha, as medidas que
estão sendo tomadas na Câmara Municipal sob o comando
do vereador Carlos Peixoto (PMDB, as brilhantes iniciativas do
vereador Ângelo Filippini (PSDB) e mais detalhes sobre os
bastidores das festas.
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