A vitória das trevas

Por Paulo de Tarso Venceslau

      A democracia foi derrotada em Brasília e em Taubaté. Lá, lançaram à latrina uma das principais instituições da República, o Senado Federal. Aqui, um acordo tão espúrio quanto aquele que orientou 40 senadores a votarem contra a cassação e os 6 que se abstiveram, obrigou uma militância ingênua, porém oportunista, a aderir à canoa furada de uma administração que irá para história com a mesma folha corrida do PT. Aos vencedores as batatas!
      Em Brasília, um grupo de deputados federais devidamente autorizado pelo Supremo Tribunal Federal foi agredido pela segurança despreparada que cumpria ordens insanas de senadores que queriam esconder um segredo de polichinelo que revelaria o voto de cada um de seus pares.
      Em Taubaté, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Salvador Soares, ameaça publicamente esse escriba que queria saber como tinha sido a reunião que resultou em um golpe branco ao único vereador da sigla e opositor ferrenho dessa administração que a cada dia que passa mais se parece com o governo federal naquilo que tem de mais condenável.
      Os acontecimentos em Brasília foram transmitidos ao vivo por todos os meios de comunicação. Infelizmente, isso não acontece em Taubaté onde predomina o interesse imediato de uma publicidade oficial.
      O comportamento de Salvador Soares, presidente do PT em Taubaté, é mais uma prova da assimilação local dos métodos da sua burocracia nacional (ver reportagem pgs 8 e 9). Em 1993, o carro oficial da prefeitura de São José dos Campos, que conduzia esse escriba então secretário da Fazenda, foi cercado por jagunços que estavam em um carro com chapa fria. A suspeita maior recaia sobre uma empresa que representada pelo compadre de Luís Inácio Lula da Silva, que no ano seguinte disputaria pela segunda vez a presidência de República. Esse episódio retornou ao cenário político recentemente quando a oposição descobriu que aquele poderia a prova sobre a origem do caixa 2 petista.
      Em março de 2005, esse escriba foi covardemente agredido no aterro sanitário quando fazia uma reportagem sobre os moradores do lixão. Os agressores eram da famigerada Ronda Especial, uma milícia formada por ex-policiais militares. Naquela ocasião, nem a imprensa local e nem o PT se manifestaram, com exceção do vereador Jéferson Campos. O prefeito Roberto Peixoto, tal qual o presidente Lula, optou pelo silêncio dos medíocres.
   




   Na terça-feira, 11, quando ameaçado e desrespeitado publicamente por Salvador Soares, presidente do PT de Taubaté, fui questionado sobre minha autoridade para se referir ao dirigente partidário e a respectiva sigla. Tudo isso recheado por uma cena em que Soares ensaiava uma cena de pugilato no corredor central da Câmara Municipal.
      Sereno, respondi que estava tremendo nas bases diante da ameaça e que minhas credenciais eram poucas mas com certeza bastante razoáveis: fui fundador do PT, trabalhei de graça como um dos editores de revista Teoria & Debate do PT, denunciei um esquema de falcatruas com dinheiro público que envolvia personalidades petistas e que motivou minha expulsão do partido por exigência de Lula, apesar dos pareceres favoráveis a mim da Comissão de Investigação e da Comissão de Ética do PT. E para completar, afirmei que eu era apenas um sobrevivente.
      Diante dessa folha corrida, Salvador Soares disse que não usaria a força física, mas que acionaria a Justiça.
Ainda bem!