Infância manchada
Por Luara Leimig

Distúrbios psicológicos, traumas, decepções e problemas mal resolvidos na infância, medo, angústia ou apenas crueldade, são alguns dos motivos que levam homens e mulheres a abusar sexualmente de bebês, crianças e adolescentes: a pedofilia

        Casos de pedofilia são registrados diariamente ao redor do mundo, inclusive em Taubaté. Na semana passada, o aposentado de 70 anos, Francisco Caboclo, ou apenas Tio Chico, chocou e surpreendeu a terra de Lobato com sua calma e frieza ao comentar como mantinha uma “amizade” com mais de 20 meninas que freqüentavam sua casa no bairro São Geraldo.
        Após quatro meses investigando e realizando escutas telefônicas, a Polícia Civil de Taubaté desarticulou um esquema de exploração sexual de menores que, além de Tio Chico, tinha como aliciador de menores o fiscal do ISS da prefeitura de São Paulo, Hélio Kanegae. O fiscal foi acionado pela polícia, compareceu à delegacia, mas disse apenas receber algumas garotas em sua chácara como simples amigas.Ele foi indiciado e liberado em seguida.
        Já Tio Chico, que não trabalha em nenhuma prefeitura, é aposentado e realiza trabalhos nas pastorais do Dízimo e da Criança, passou longas horas na delegacia contando como eram seus dias comendo miojo com as garotas: “ A gente não fazia nada de mais, elas iam lá para casa porque eu vivo sozinho e oferecia comida para elas. Elas queriam comer, aquele macarrãozinho quadradinho, sabe? Miojo.” contou.
Frente a frente com a polícia e as meninas, Tio Chico ouviu trechos das gravações telefônicas e manteve a fala mansa e a expressão serena. Ouvindo gravações onde ele negociava preços, convidava meninas de 14 anos para dormir “peladinha” com ele, entre outras coisas. Tio Chico ainda conseguia sorrir e conversar com a imprensa. “Ah, eu não obrigava ninguém a ir à minha casa, elas iam lá porque gostavam” contou.
Questionado sobre quantas meninas ele recebia, ele disparou: “ Menos de vinte, mas todas com o mesmo objetivo, alimentar-se do miojo do tio Chico”. Sobre sua relação com crianças que ele convivia durante o trabalho na Pastoral da Criança, ele negou qualquer tipo de envolvimento que não fosse o profissional. A polícia ainda está investigando o caso e até agora não foi encontrada nenhuma criança da pastoral envolvida nos crimes do seu Chico.

“Vem Tio Chico”
        Enquanto acompanhava as declarações do aposentado em uma sala da Delegacia de Investigações Gerais, o carcereiro responsável pelas celas do cadeião da JK adentrou a sala e comentou: “O pessoal do xadrez tá todo alvoroçado, estão todos gritando ‘Vem Tio Chico’”.
        O alvoroço entre os presos é motivado pela expectativa em dividir a cela com um pedófilo. Dentro do código de conduta dos presidiários, pedofilia é um crime inaceitável e deve ser punido com a morte do acusado. Os Jacks, como são tratados entre os criminosos todos os acusados de cometer crimes de conotação sexual, não permanecem em celas comuns, nem têm qualquer contato com presos que cometeram delitos diferentes.
        Para estupradores, pedófilos e outros maníacos sexuais, o destino normalmente é o seguro, uma cela separada onde se concentram criminosos do mesmo tipo. Além de permanecer no seguro, os Jacks raramente se utilizam do beneficio do banho de sol. Eles passam praticamente todo o tempo confinados.

Características
        Os pedófilo, geralmente, sentem prazer em compartilhar imagens de crianças em poses sensuais com outros pedófilos. A internet é o meio mais utilizado graças a grande difusão e o poder do anonimato obtido pelo uso da rede pelos praticantes destes crimes que podem agir com impunidade e liberdade.

Perfil
        O vizinho, o pedreiro, o executivo de terno e gravata, moralistas, padres, intelectuais, enfim, pessoas aparentemente comuns, que mantém preservadas as demais áreas de sua personalidade: qualquer um deles pode ser um pedófilo. Faz parte da perversão enganar a todos sobre sua parte doente. Para ele, enganar é tão excitante quanto a própria prática do abuso. Um lobo em pele de cordeiro, um falso moralista, são alguns dos artifícios usados a serviço da perversão. Estes criminosos necessitam da fantasia de poder sobre sua vítima, usam das sensações despertadas no corpo da criança ou adolescente para subjugá-la, incentivando o sentimento de culpa que surge na vítima.
        O abusador pode ser agressivo mas, na maioria das vezes, ele usa da violência silenciosa, da ameaça verbal ou apenas velada. Covarde, ele tem muito medo e sempre vai negar o abuso quando denunciado ou descoberto.
        O pedófilo procura, freqüentemente, exercer a função de substituto paterno para ter a condição de praticar sua perversão. Seu distúrbio mental é compulsivo: ele vai repetir e repetir seu comportamento abusivo, como o mais forte dos vícios. Nenhuma promessa de mudança de seu comportamento pode ser cumprida por ele, pois ele é dependente do abuso.

Fonte: www.observatoriodainfancia.com.br
A ínte-gra da cartilha: Abuso Sexual: Porque?! Como?! Como?! O que?! Mitos e Realidade, publicada com apoio da Embaixada Britânica você pode ler clicando aqui.


 


Menor fazendo reconhecimento de Tio Chico na Delegacia

Tio Chico chegando a Delegacia

Tio Chico, aparentemente um inofensivo anciao

Material Apreendido