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Embaixador
Djalma Santos
Djalma Santos, o maior lateral direito de
todos os tempos na história do futebol, recebeu a visita
de uma “delegação” da família Venceslau
em Uberaba, (MG). Os bastidores, os jogos em Taubaté e as
histórias com os amigos Zito e Feola, estrelas dos áureos
tempos do Burro da Central, você confere agora. A reportagem
completa só na edição de novembro da revista
“Brasileiros”
Por
Pedro Venceslau
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Não existem
seguranças armados, carro blindado, cerca elétrica,
nem mordomo na casa de Djalma Santos, na periferia de Uberaba, em
Minas Gerais. A casa é simples e aconchegante, mas não
lembra nem de longe as mansões dos grandes craques de futebol
da geração Romário – Ronaldos. A sala
de estar mais parece um museu, cheia de flâmulas, homenagens,
placas comemorativas, troféus, fotos. São as lembranças
dos áureos tempos: a consagradora final da Copa de 1958,
na Suécia, quando o Brasil sagrou-se campeão pela
primeira vez; o torneio seguinte, no Chile, em 1962, quando veio
o bi; os clássicos inesquecíveis na Portuguesa, Palmeiras
e Atlético Paranaense.
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A idéia
de fazer uma visita ao melhor lateral direito da história
do futebol – quem diz isso é a FIFA – surgiu
por acaso. Entre um caipirinha e outra na varanda de casa em Parati,
minha tia Neusa, matriarca do clã dos Venceslau em Uberaba,
comentou que Dejalma (esse é o nome certo dele) vive em
sua cidade há algumas décadas. Fiquei sabendo que
ele coordenou um belo programa de esporte destinado aos jovens
atletas, que foi extinto pelo atual prefeito, o mensaleiro Anderson
Adauto. Lembra dele? Na hora, percebi que tinha em mãos
uma bela pauta. Não deu outra. Chegando em São Paulo,
logo entrei em contato com o jornalista Hélio Campos Mello,
editor da revista “Brasileiros”, que adorou a história.
Djalma topou na hora. No feriadão de sete de setembro,
minha tia Neusa fez o meio campo. Enquanto a conversa rolava descontraída,
Paulo de Tarso e João Venceslau se revezavam nos cliques.
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Aos oitenta e
poucos anos, Djalma esbanja saúde. Uma foto recente sem
camisa pendurada na parede revela um físico de fazer inveja.
Zero de barriga, ao contrário do entrevistador. “Todo
domingo bato minha bolinha com o pessoal do Country Club. Depois,
agente faz um churrasquinho e toma uma cervejinha”, revela.
Começamos a conversa falando sobre o futebol atual. Djalma
conta que não tem nada contra Dunga, mas preferia Wanderlei
Luxemburgo no comando da seleção brasileira. Noves
fora, o lateral acredita que Dunga não cai antes da Copa
do Mundo. Mas faz uma ressalva: “Ele precisa ganhar todas”.
Qual o melhor lateral da atualidade? A resposta está na
ponta da língua: “Cicinho, aquele que jogava no São
Paulo”.
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Chega a hora de
falar sobre um velho amigo, o também bi-campeão
Zito, cidadão taubateano por direito e estrela dos áureos
tempos do Burro da Central. “É meu amigo. Até
hoje converso com ele. Essa semana mesmo a gente se falou por
telefone. Ele era o líder dentro do campo. Nasceu com esse
dom. Xingava, gritava... Liderava tanto no Santos quanto na seleção.
A gente chamava ele de Chulé (risos). Eu falava para o
Pelé: ‘Esse cara é chato. Resmunga muito’.
Mas ele resmungava para o bem daqueles caras”. Outro ilustre
ex-jogador do Taubaté, Aymoré Moreira, que também
dirigiu a seleção, é lembrado na conversa.
“Falava muito. Era oposto do (Vicente) Feola, que falava
pouco e era recatado. Um grande treinador, muito produtivo”.
A pergunta é inevitável: entre o estilo Feola e
Aymoré, em quem vota Djalma Santos? “Fico com o Feola,
que era mais tranqüilo”. O maior lateral direito da
história do futebol também guarda boas lembranças
dos jogos na cidade de Lobato: "Era o Burro do Vale, né?",
pergunta, rindo. "Era bom porque a gente sempre batia o Taubaté.
Quando chegava no estádio, tinha mais torcedor do Palmeiras.
Eles ficavam receosos".
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