Canto de Liberdade

Mere de Oliveira é cantora lírica de expressão internacional. Nascida em Taubaté, ela já se apresentou na Argentina, Uruguai e está preparada para mais um desafio no Rio de Janeiro. CONTATO localizou-a em sua casa e registrou sua esperança em obter patrocínio para que sua voz ecoe também na Europa e definiu-se em uma frase: “Cantar para mim sempre foi liberdade”

Por Melissa Oliveira

      Mere é uma cantora lírica mezzo-soprano premiada em grandes festivais de música. Em abril deste ano, em Jacareí, no 8º Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas, ela ganhou o prêmio especial de público e júri. “Maria Callas é a grande demonstração de como podemos ser cantores e atores. Ela é um grande expoente do canto lírico”, explica Mere. Outro evento recente foi o Concurso Internacional Maria Borges, em Montevidéu – Uruguai, e a cantora foi premiada com o 3º lugar.
      Na terça-feira, 18, Mere Oliveira estará no Rio de Janeiro para participar do III Festival Francisco Mignone de Jovens Intérpretes, que já foi concurso, onde grandes cantores líricos brasileiros foram finalistas. Existem momentos únicos na vida do artista, bons e ruins, e que nem sempre um ótimo preparo é responsável pelo sucesso em um festival, já que existem outras questões a se levar em conta. É assim que pensa Mere quando afirma: “Não carrego expectativas comigo para concursos, porque não se concorre apenas com os adversários, concorre-se com o gosto pessoal da banca dos jurados e também consigo mesmo”.
      Mere recebeu patrocínio da Prefeitura de Taubaté quando foi para Argentina, em maio de 2006, mas espera obter novos investimentos em sua carreira. No momento, busca patrocínio para que seu pianista, o Maestro Espírito Santo, a acompanhe ao Concurso Internacional de Trujillo, no Peru, em novembro. Em seguida, espera conseguir incentivo financeiro para que possa levar o nome da região a duas competições importantes para sua carreira, uma na Itália e duas na Espanha. Em função dos prêmios que recebeu, ela já é semifinalista em todas essas competições.

Nascida Glacimere

      Adolescente séria e muito dedicada à Igreja, Glacimere, que um dia assumiria o nome artístico de Mere, encontrou no canto a melhor forma de expressar sua personalidade. Criada num ambiente propício à música, aos 3 anos ela soltou suas primeiras notas ao som do acordeom tocado pela mãe. “Tive a felicidade de ser afinada de pai e mãe”, comenta, e naturalmente, foi se envolvendo a cada dia com a música.
      Na igreja, onde o pai foi pastor, integrou-se ao coral infantil e também ao grupo de senhoras cantoras. De solista, começou também a reger grupos infantis. Foi o organista Darwin Rocha quem a levou para estudar na Escola de Música, Artes Plásticas e Cênicas Maestro Fêgo Camargo, conservatório de Taubaté. Seu professor de técnica vocal, Luiz Antônio Diniz, incentivou a cantora a participar de seu primeiro concurso: o XVIII Concurso Nacional de Música Cidade de Araçatuba em 2001. Mere venceu. “Ganhar foi uma surpresa de grande importância. Depois disso, passei a me dedicar ao canto com mais afinco”.
      A partir daí, a cantora percebeu que não poderia desperdiçar o talento e decidiu, com auxílio de fonoaudiólogos e professores, entregar-se a um regime de total dedicação. “Sou absolutamente metódica”, diz Mere, que pensa no que come, quanto tempo dorme e pratica exercícios, inclusive de respiração. Ela explica que construiu sua técnica e amadureceu sua voz, o que facilitou para que conquistasse novos prêmios.
      Mere fala com carinho da escola onde começou seus estudos musicais, a Fêgo Camargo: “Sou muito bem recebida aqui”. A parceria com o violonista taubateano André Simão, que tem mais de 12 prêmios nacionais de violão, também é um projeto nascido no Vale e promete sucesso. Batizada de Duo Capuccino – uma brincadeira com a cor clara da pele de André e a morena- jambo de Mere – a intenção da dupla é ser eclética. E afirma: “Queremos ser o mais abrangente possível. Nosso repertório tem lendas amazônicas, músicas espanholas, maracatu, Villa-Lobos. É bastante amplo”.