O namoro entre o prefeito
Roberto Peixoto evoluiu rapidamente para uma grande paixão
que ainda não tem uma expressão adequada para defini-la.
Poderá culminar numa relação estável,
digna de véu e grinalda. Mas, também poderá
caminhar para o calçadão com cada um representando
o papel que escolher entre Bebel, Jader e Olavo, da novela Paraíso
Tropical. Aliás, não seria nenhuma novidade.
Na edição 309,
de CONTATO, de 23 de março desse ano, a capa ostentava
o prefeito Roberto Peixoto sorridente, sob uma estrela do Partido
dos Trabalhadores na sede da agremiação. A manchete
ainda era uma indagação “PT vai Peixotar?”,
apesar de o conteúdo não deixar dúvida sobre
o gran finale. E para completar aquela semana, o jornal informava
que naquele mesmo dia “Lula recebia com a mesma pompa o
ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello”. Brasília
realmente era e continua sendo aqui.
Nota reveladora
A versão oficial do
acordo foi dada através de uma nota oficial do PT de Taubaté,
assinada pelo seu presidente Salvador Soares. Não é
preciso ser nenhum cientista político para entender as
bases das negociações feitas entre o Palácio
Bom Conselho e o Partido dos Trabalhadores. Confira.
A nota comunica, logo no início,
que o PT “decidiu em reunião, realizada no dia 10
de setembro, pela imediata aliança com o PMDB da cidade
[de Taubaté]”. Franqueza louvável que não
deixa qualquer dúvida a respeito. Em seguida, começam
as revelações. Para o PT, trata-se de criar “assim
possibilidades na qualificação de quadros partidários
e de viabilizar o crescimento do partido na cidade”. Ou
seja, seus quadros serão contratados pela prefeitura para
que recebam o devido treinamento no uso da máquina pública,
para que possam contribuir com o “crescimento do partido
na cidade”. Como vai se dar esse crescimento, a nota não
explica. Mas, pelo seu histórico, os militantes contratados
contribuirão com seu dízimo e terão tempo
de sobra para fazer campanha política em pleno ano eleitoral.
Porém, a contrapartida
oferecida pelo PT elucida a maneira como os recursos públicos
estão sendo manipulados de forma privada por políticos
desse naipe. A mesma nota esclarece que a iniciativa visa isolar
os tucanos e ao mesmo tempo “viabilizar a aproximação
do Prefeito Roberto Peixoto com o Governo Federal, buscando recursos
que antes nunca tinham vindos para Taubaté, [essa iniciativa]
é [para] colocar nossa cidade no patamar que o PT almeja,
garantindo os benefícios que o Presidente LULA tem viabilizado
a tantas outras cidades, melhorando assim a qualidade de vida
do nosso povo”.
Trata-se de uma confissão
explícita de que o governo federal não repassa recursos
para administrações comandadas por partidos que
não façam parte de sua base de apoio em Brasília.
Isso só passa a acontecer, pelo menos neste caso, quando
o poder Executivo faz uma composição política
como essa.
Traição
política
O acordo tornado público
na terça-feira, 11, só seria viável caso
o grupo que apóia o mandato do vereador Jéferson
Campos perdesse a maioria no Diretório Municipal, garantida
por um apertado 11 a 9 votos, dos seus membros. Quando a reunião
tem início, eis que surge uma rápida e estranha
mudança: Paulo Roberto Coelho, o Betão, chefe de
gabinete do vereador e sua esposa, ambos com direito a voto, passam
a apoiar a proposta do grupo que gravita em torno de Salvador
Soares.
A reunião que em tese
seria desnecessária, uma vez que há pouco tempo
já havia votado a mesma questão, na verdade era
uma grande arapuca para o vereador petista que, em momento algum
poderia imaginar que uma pessoa de sua confiança, da mesma
tendência petista, a Novo Rumo, pudesse traí-lo daquela
forma.
Quem assistiu a sessão
da Câmara Municipal na noite de terça-feira, 12,
testemunhou um discurso amargo e triste de um aguerrido militante
que não fugiu em momento algum de seu compromisso partidário.
Parecia uma cena patrocinada pela revolução bolchevista
de 1917 quando mandou fuzilar seus melhores quadros depois de
os mesmos se humilharem auto-críticas nos tribunais montados
para “legalizar” a violência do Estado Soviético.
Até tu, Beto?
Paulo Roberto Coelho, o Betão,
é irmão Jorge Coelho, um ex-líder sindical
da categoria dos trabalhadores químicos e ex-presidente
da CUT estadual, em São Paulo. Jorge sempre esteve alinhado
com a Articulação, corrente petista de Lula e Zé
Dirceu. Mais recentemente, porém, foi criada a tendência
Novo Rumo que tem expoentes os deputados federal Cândido
Vacarezza e estadual Rui Falcão. São dois militantes
afinadíssimos com Zé Dirceu que, em várias
ocasiões, promoveram o surgimento de “rachas”
no hoje Campo Majoritário do PT para facilitar a vitória
da turma do ex-ministro.
Nas últimas semanas,
foi intenso o movimento de petistas em direção a
Taubaté e de autoridades municipais a Brasília.
Afinal, desde que o PT perdeu a prefeitura de São José
dos Campos para o PSDB sua burocracia sonha em pôr as mãos
na prefeitura da terra de Lobato. Mas a ausência de lideranças
expressivas lançou os petistas em aventuras. A aliança
com Mário Ortiz (DEM) que chegou a se filiar ao PMDB para
enfrentar o clã Ortiz, em 2004, foi fragorosamente derrotada
pelo candidato Roberto Peixoto.
A arma nem um pouco secreta
para 2008 é o governo federal. E aí começa
a romaria da fracassada administração em busca de
soluções milagrosas feitas com dinheiro público.
Enquanto Peixoto sonha com a reeleição a qualquer
custo, os petistas sonham com os empregos que conseguirão
no Palácio Bom Conselho.
Mas, com resolver o problema chamado vereador Jéferson
Campos, o principal opositor ao governo Peixoto na Câmara
Municipal?
Diante da posição
irredutível do vereador, a burocracia buscou e encontrou
um flanco desprotegido: Beto Coelho, um quadro alinhado com Vacarezza,
que chegou a Taubaté para assessorar o Sindicato dos Metalúrgicos,
exercia a chefia de gabinete do único vereador petista
eleito em 2004.
Mas, Beto não escondia
seu alinhamento com Jéferson. Repórteres de CONTATO,
em mais de uma ocasião, registraram que ele não
admitia qualquer tipo de aliança com o Palácio Bom
Conselho. Nem o vereador que o tinha como pessoa da mais estrita
confiança.
Ainda não se sabe o
que corroeu a resistência de Betão. Provavelmente,
dentro de muito pouco tempo, quando o mesmo for recolocado em
outro emprego que deverá ser público, os eleitores
de Taubaté descobrirão as verdadeiras razões
que o levaram, juntamente com sua esposa, assegurar a vitória
de Salvador Soares, pau-mandado da burocracia petista paulista.
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JOGO RÁPIDO com vereador Jéferson Campos
Foi
surpresa a decisão de o PT se aliar ao Palácio Bom
Conselho?
Foi uma surpresa, mas que faz parte do processo político.
O
sr entrará com algum recurso?
Apesar de ter um posicionamento contrário a essa decisão,
não entrarei com nenhum recurso. Vou acatar a decisão
da maioria do Diretório.
O
sr. pretende se afastar da tendência Novo Rumo?
Vou permanecer nessa corrente. Acredito que perdemos uma batalha
apenas. Porém, nada como o tempo que é o senhor
da razão.
Como
tem reagido seus eleitores?
Tenho recebido muitos telefonemas de apoio. Eles, meus eleitores,
entendem que devo manter a postura de oposição propositiva,
formulando propostas alternativas.
Uma
mensagem para seus eleitores.
Estou no caminho certo e não vou mudar uma vírgula
sequer do meu comportamento na Câmara. Tenho certeza que,
em 2008, meus eleitores darão a resposta necessária,
com certeza.
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Outro lado
Paulo
Roberto Coelho, o Betão, marcou uma entrevista com nossa
reportagem, mas não compareceu e nem retornou as ligações.