Toda
quinta feira, ás 17hs, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo
tem um compromisso inadiável: enviar sua coluna para a
redação da Veja. Apesar do cargo de editor especial,
ele não edita nada na semanal mais lida do país
– são 1.226.069 exemplares de circulação,
segundo o IVC. Seu único compromisso é caçar
um assunto e trabalhar em cima. Esta semana, por exemplo, ele
versou sobre “O poder de se exibir em pêlo, dos primitivos
índios brasileiros à revista Playboy”.
Faz tempo que Pompeu não
participa diretamente de um fechamento. Sua redação
particular é um escritório repleto de livros em
seu apartamento, no bairro de Higienópolis, em São
Paulo. Ele confessa que muitas vezes chega em cima do prazo sem
ter um assunto definido para preencher a coluna, batizada de “Ensaio”,
localizada no espaço mais nobre da revista, a última
página. “Corro o risco de escrever uma coluna ruim.
Já escrevi muitas colunas ruins”, confessa. Ruins
ou não, o fato é que Roberto é, ao lado de
Diogo Mainardi, um dos campeões de cartas da Veja.
Recentemente visitei Pompeu
para fazer a entrevista do mês da edição de
outubro da revista IMPRENSA. Fiquei surpreso com o resultado.
Pompeu não tem a mesma aversão ao presidente Lula
que Veja, revista na qual ocupou vários cargos antes de
ser colunista – chegando a editor executivo.
“Acho que Lula, assim
como FHC, é um democrata. Ele tem consciência do
valor da democracia”. Na contramão de boa parte dos
leitores da Veja, o colunista também não considera
o presidente um “ignorante”. Pelo contrário.
“Muita gente diz: ‘O Lula devia ter aproveitado o
tempo que teve livre para estudar’. Se ele fizesse isso,
não seria mais o Lula. O Vicentinho se formou em direito.
A ele se permite isso, virar um advogado. Mas você consegue
imaginar o Lula com uma pastinha de advogado circulando pelo Fórum?.
Um presidente não precisa de diploma de curso superior.
O mito vem do fato dele ser um operário que chegou a presidência.
Se ele tivesse aprendido inglês - ou português - direito,
não seria mais o mesmo”.
Nem
“Cansei”, nem Marilena Chauí
Veja não fez como IstoÉ,
que cedeu espaço publicitário grátis, mas
tem se mostrado no mínimo simpática ao famigerado
movimento “Cansei”. Na edição desta
semana, por exemplo, o entrevistado das “Páginas
Amarelas” é João Dória Jr, o empresário
que lidera o movimento das elites “contra tudo que está
aí”.
Pompeu, por sua vez, tem uma opinião mais próxima
da esquerda sobre o tema. Se fosse escrever sobre isso, o texto
caberia até mesmo em Carta Capital: “Não dá
para levar a sério um movimento (Cansei) que nasceu de
uma reunião de granfinos e ainda adotou esse nome de dondoca”.
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Porém, quando pergunto
a Pompeu o que ele acha da tese de que a mídia persegue
o PT, as respostas, enfim, passam a se encaixar melhor no ideário
da semanal da Abril. “O PT se refugia na sua suposta característica
de esquerda. Eu digo suposta porque eles não fazem um governo
de esquerda. O lulismo não é mais de esquerda. Quando
estão acuados, se refugiam na qualidade de contestador
das estruturas sociais e gritam “golpe”. É
evidente que isso é uma coisa falaciosa. O PT navega dentro
do sistema mas, ao mesmo tempo, quer ter um pé fora quando
interessa. A síndrome do PT de acusar de todo mundo, e
a imprensa em particular, de golpista, é a síndrome
de Marilena Chauí, a personagem mais fascinante da atual
quadra brasileira. Ela vive num conto de fadas, em que não
há mensalão, nunca houve problemas nos aeroportos,
o PT representa o bem e a justiça, como o príncipe
que salva a Branca de Neve a Bela Adormecida. Todos que criticam
fazem parte de uma conspiração de malvados. Eu acompanho
a Marilena Chauí com crescente interesse. É uma
velhinha de Taubaté quando olha para o querido PT e uma
donzela cheia de terror e susto quando olha para os adversários.
Não tenho dúvida de que modelo de jornal, para muitos
petistas, é o Granma”. A entrevista completa de Roberto
Pompeu de Toledo você confere na edição de
outubro de IMPRENSA. 
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