É
interessante o fascínio que o futuro exerce sobre as pessoas,
mas, será realmente possível prever o futuro?
A descoberta do eletromagnetismo
no século 19 e a geração e propagação
das ondas eletromagnéticas abriram caminho para a denominada
“era da eletricidade”. No entusiasmo da era da eletricidade,
muitas previsões foram feitas.
Em novembro de 1928, a Revista
O Cruzeiro anunciava as previsões para o ano 2000 do professor
F. Laboriau, “cathedratico de Metallurgia da Escola Polytechnica”.
No texto “A Éra das Forças Hydraulicas”,
o professor, previa que o Brasil atingiria 200 milhões
de habitantes (chegou perto!) e apontou o alumínio como
o metal do futuro: “Na era da electricidade, o rei dos metaes
é o alumínio, retirado das argilas pela energia
electrica. O alumínio supplantou, com as suas ligas, o
ferro, pesado demais e facilmente oxydavel, e ainda substitui
o papel, tão facilmente deterioravel. De alumínio
serão os livros. Será em folhas de alumínio
que se escreverá.”.
No Banco de Dados da Folha
de S. Paulo, encontra-se uma matéria, publicada pela Folha
da Manhã em janeiro de 1925, em que um livro de certo professor
A. M. Low é resenhado. O professor não se intimidou
e já foi logo apontando as suas previsões para o
longínquo ano de 2925.
O repórter da Folha
da Manhã esclarece:
“A energia vital, que conserva o funccionamento do corpo,
é, não há de negar, uma funcção
eletrica. Si se pudesse obter um systhema pelo qual o corpo absorvesse
essa eletricidade da atmosphera, certo não seria necessario
o somno para que se recuperassem as energias dispendidas e se
continuasse a viver. O professor Low acredita na proximidade dessa
invenção, que evitaria ao homem, cançado
pelo trabalho ou pelo prazer, a necessidade de um somno restaurador,
effeito que elle obteria directamente do ether, por intermedio
de suas vestes, perfeitamente apparelhadas com um metal conductor
e ondas de radio que lhe proporcionariam a parte de energia necessaria
para continuar de pé, por mais um dia. Dess’arte,
nas farras ou defronte á mesa de trabalho, receber-se-ia,
através das vestes, a energia reparadora, sufficiente para
que o prazer ou a tarefa continuassem por tempo indefinido, sem
o menor cançaço.”
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Acrescenta
ainda o repórter:
“Referindo-se á queda do cabello, o professor Low affirma
que, dentro de mil annos, a raça humana será absolutamente
calva. E attribue estes effeitos aos constantes cortes de cabello,
tanto nos homens como as mulheres e aos ajustados chapéos,
que farão cahir a cabelleira que herdamos dos monos - doadores
liberaes do abundante pêlo que nos cobre da cabeça
aos pés, mas que a pressão occasionada pelos vestidos
e calçados fará desapparecer totalmente.”
Finalmente, no meio de tantas
previsões, o grande professor Low quase acerta.
“O sabio inglez prevê ainda o desapparecimento dos grande
diarios, que serão substituidos por livros, magazines illustrados
e revistas especiaes, porque - continua Low, dentro de mil annos,
pouco mais ou menos, com o premir de um simples botão electrico,
receber-se-ão informações de todas as partes
do mundo, o que não impedirá que, ao contacto de outro,
se veja na tela-visão, que cada casa possuirá, ao
mesmo tempo, uma corrida de cavallos em Belmont-Park, Longchamps
ou Paris, ainda que se resida numa villa da America ou da Africa.”
Realmente o novo é sempre
imprevisível, e a maioria das previsões sobre o futuro
geralmente falham. Não só porque os futurólogos
exageram, mas devido o aparecimento de novos paradigmas, completamente
estranhos ao futurólogo.
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