Pedro:
O show foi bom! Fomos conquistando aos pouquinhos. Não
é nenhum show desses grandes, que “já chega
ganho”, temos que conquistar. A guerra está aí
pra ser vencida.
Flávio:
O público foi super-receptivo. Em Taubaté e no interior
de São Paulo em geral, alguns sempre são muito receptivos.
Referência
do blues nacional, vocês precisaram de 20 anos de carreira
para se sentirem amadurecidos musicalmente para gravar um CD em
tributo a um ídolo (Muddy Waters). Alguma dificuldade?
Pedro:
Não foi difícil, mas deu trabalho. Tivemos que pesquisar,
escolher o repertório, e ver o que ele fazia pra gente
fazer não igual, porém, na mesma direção.
Flávio:
Caiu de maduro. Foi um produto natural depois de vinte
anos. O Muddy Waters inspirou a banda, a sua formação,
os arranjos com gaita, duas guitarras, baixo e bateria, mas realmente
é um repertório bem específico, e não
dá pra sair tocando porque pode ficar muito ruim. Tivemos
a humildade de esperar o momento certo pra fazer isso.
Como
é o público de Blues no Brasil?
Pedro:
Nada se deve, tudo se pode. Poderia ter mais gente. Eu poderia
estar pagando as minhas contas com muito mais tranqüilidade,
e iria ser muito legal pra mim.
Flávio:
É um público não tão pequeno, bem
expressivo e muito fiel. Quem gosta de blues hoje em dia, daqui
a vinte anos vai continuar gostando e quem gostava há vinte
anos atrás, ainda gosta. Não é um fenômeno
passageiro. O blues veio pra ficar. Eu diria que o blues inspirou
tudo. Cássia Eller gravou blues, Cazuza gravou blues, Alceu
Valença compôs blues, e o blues influenciou o jazz,
e por conseqüência, a bossa nova. A música brasileira
tem muito blues. Talvez algumas pessoas não tenham essa
noção exata, mas é uma música afro-americana
que influenciou toda a música popular do mundo.
Como
foi encerrar a Semana de Comunicação de estudantes
da Unitau?
Pedro:
Boa sorte! Boa sorte em escolher as músicas que
vocês vão ouvir para o resto de suas vidas. E boa
sorte em todo o resto da vida.
Otávio: Não sabia que era tanta
responsabilidade (brinca). Meu recado é fazer o que se
gosta. O dinheiro também ajuda, mas é importante
dedicar à parte que se gosta. Sinto-me bem em saber que
encerramos a SECOM, porque, de uma certa maneira, estamos fora
dos grandes veículos de comunicação. Mesmo
assim, a gente consegue ter comunicação com as pessoas
de uma geração mais nova. É legal!!
Flávio:
É importante, para os futuros jornalistas, tentar
ter uma isenção. A mídia hoje em dia tem
um papel muito poderoso e, infelizmente, tende a seguir uma tendência
de mercado. Os jornalistas não podem ser prepotentes, eles
têm que entender que se leva um tempo para aprender sobre
diversos assuntos, e que é importante estar sempre aprendendo,
ter sempre a sua humildade de aprendiz. Um jornalista de vinte
e poucos anos pode destruir o trabalho de gente que está
aí há trinta anos. Criou-se um poder muito grande
que não pode ser usado de forma equivocada. Na parte política
brasileira, a missão do jornalista é muito importante
também. O jornalismo é responsável por várias
das mudanças que aconteceram recentemente no país.
Agora, nas artes e na música, deve-se pensar de uma forma
mais abrangente. É o que eu acho.