Doutor Benedicto
Augusto de Freitas Montenegro abençoou a primeira plenária
do Movimento dos Estudantes da Unitau, realizado no último
dia 22, nas dependências do Centro Acadêmico da Medicina,
no campus do Bom Conselho. Sob seu olhar (ver foto), foi composta
a mesa dirigente da plenária com representantes dos estudantes
da graduação e da pós-graduação
da Universidade de Taubaté, da ENESSO (Executiva Nacional
dos Estudantes de Serviço Social), da DENEM (Executiva Nacional
dos Estudantes da Medicina), da Defensoria Pública do Vale
do Paraíba, da Conlute (Coordenação Nacional
de Lutas dos Estudantes), do grupo independente da Apeoesp (Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
e dos movimentos sociais.
Durante três
horas, das 20 h às 23 h foram discutidos as diretrizes e
os próximos passos do Movimento Estudantil. Um universitário
não escondeu a animação reforçada de
consciência ao comentar: “a discussão sobre federalização
da Unitau tem que ultrapassar os muros acadêmicos e chegar
até a sociedade. Para a primeira plenária, até
que a gente reuniu bastante gente. Veio muita gente dos movimentos
socais. Só falta agora a elite ter bom senso e abraçar
a causa.”
Logo no início
dos trabalhos, o defensor público Dr.Wagner Giron De La Torre
parabenizou a “vida inteligente no corpo discente da Universidade”
presente. Em seguida, falou sobre as duas ações civis
públicas que a Defensoria Pública do Vale do Paraíba
move contra a Universidade de Taubaté e terminou com a defesa
do presidente do Centro Acadêmico da Comunicação
Social, Pablo Loureiro, autor do polêmico discurso na tribuna
da Câmara, na noite de 14 de agosto. “A Defensoria Pública
vai ter o maior prazer em defender o estudante [caso os vereadores
da Câmara entrem com processo contra o aluno]. Não
é assim que se resolvem as questões na democracia.
Até porque [o processo] vai engrandecer o aluno, por que
ele vai ser perseguido politicamente.”
Silvio Prado, representante
do grupo independente da Apeoesp, reforçou: “os estudantes
colocaram em pauta uma questão importante: a Universidade
Pública no Vale do Paraíba”; questionou: “uma
estrutura tão grande [como a da Unitau], está a serviço
de quem?”; alertou: “não vai ser fácil,
porque vocês vão enfrentar toda a estrutura conservadora
da cidade.”; e desabafou: “quem está engajado
em lutas como essa fica marginalizado na conservadora sociedade
taubateana.”
A estudante do segundo
ano do curso de Serviço Social, Cíntia Elisa, desabafou
ao afirmar que “foi terrível o que a Reitora disse
[na entrevista exclusiva publicada na edição nº
330 de CONTATO] de que o Movimento não foi representativo.
A luta é de poucos, mas para todos.” Silvio Prado,
da Apeoesp, aproveitou para questionar: “Ela [reitora da Universidade]
não tem condições de falar em representatividade.
É só ver como ela foi escolhida [para o cargo].”
Na hora de ir embora,
o defensor público alertou os alunos. ”Vocês
têm que formular um documento e entregar para os vereadores,
senão serão taxados de baderneiros.”
Diversidade
Gritante era diferença
de idade das pessoas presentes na plenária. Um senhor de
estatura mediana e cabeça avantajada, como a do jurista Rui
Barbosa, chamou a atenção. Ele se chama Carlos e tem
68 anos. Na conversa com nossa reportagem, ele aproveitou a oportunidade
para dizer que ficou emocionado com o sentido político do
movimento estudantil e que os adolescentes do seu bairro não
pensam em cursar a Universidade para evitar frustração.
“No bairro tem muitos talentos, mas a molecada tira da cabeça
a idéia de fazer um curso superior para não ficar
iludido. A exclusão é muito grande.” E alfineta:
“Parabéns pelo Movimento [Estudantil]. Ele está
incomodando porque está levantando o lençol e descobrindo
um monte de coisas.”
|
|