Cândido
Vacarezza é médico. Mas sempre gostou de política.
Não importa o rumo, desde que leve água pro seu
moinho. Ou seja, sua barriga sempre foi mais importante do que
qualquer outro compromisso. No começo de 1997, por exemplo,
ele era Secretário-Geral do PT em 1997 quando foi flagrado
como funcionário fantasma da Câmara Municipal de
São Paulo. Era o fantasma petista mais vivo da folha de
pagamento do PPB de Paulo Maluf.
Foi o primeiro sintoma da
deterioração partidária provocada pela burocracia
petista que há muito tempo abandonou qualquer compromisso
com as prometidas mudanças que pregava em seus programas
partidários. Naquela época, Vacarezza chegou a ficar
lotado no gabinete do malufista Brasil Vitta que, segundo a revista
Veja de 8 de janeiro daquele, alfinetou: "Qual é o
problema de a gente ajudar os colegas?". Para Vitta, Vacarezza
era(é) colega. Para Vacarezza, Vitta era(é) um companheiro.
E pra não deixar dúvidas,
a Folha de São Paulo de 9 de janeiro daquele ano publicou:
“O presidente do PT, José Dirceu, sabia, havia pelo
menos duas semanas, que o secretário-geral do partido,
Cândido Vaccarezza, era funcionário fantasma na Câmara
Municipal de São Paulo. Ele foi comunicado por seis vereadores
e não tomou providência”.
Raul Pont, dirigente petista
e ex-prefeito de Porto Alegre, escreveu na edição
34 de Teoria & Debate, revista teórica do PT, que em
1997, “ocorreram várias, manifestações
de confusão política que, infelizmente, contribuem
para diluir as diferenças entre o PT e os partidos burgueses.
O então secretário-geral do PT, Cândido Vacarezza,
foi comissionado no gabinete da Presidência da Câmara
Municipal de São Paulo, do PPB”, de Paulo Maluf.
Lula venceu as eleições
em 2002 e 2006. A burocracia petista gostou tanto do poder que
não quer mais largar o osso. Vacarezza é um dos
que aprimoraram os métodos e os caminhos para promover
as alianças necessárias para garantir seu pedaço.
E saiu do armário.
Eleito deputado federal, em 2006, Cândido Vacarezza, o Vaca,
como é chamado pelos petistas, transformou-se no principal
articulador do PT no plenário. Voluntarioso, ganhou os
holofotes ao se deixar fotografar jantando com Paulo Maluf (PP-SP)
no Piantella, restaurante mais badalado de Brasília, bebericando
vinho francês Château Plince. Risonho e festivo, ele
articulava a retirada de três assinaturas do requerimento
de criação da CPI do Apagão Aéreo.
Maluf, que dá nó até em pingo d’água,
porém, abriu o jogo para a imprensa quando afirmou que
tratavam da eleição municipal de 2008. Traduzindo:
Marta Suplicy na cabeça e uma pessoa de Maluf como vice.
Não sei qual versão é pior.
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Esse movimento tem incomodado
os aliados do PT. Nádia Campeão, ex-secretária
de Esporte de Marta Suplicy e presidente estadual do PC do B,
comentou no site Vermelho que o jantar de Maluf com Vacarezza
“é uma demonstração clara da guinada
na trajetória do PT, da esquerda para o centro".
A recepção oferecida
pelo Palácio Bom Conselho ao petista malufista mais explícito
é mais uma prova de que Lula, Maluf e Peixoto se merecem.
O autismo político de Roberto Peixoto vai nadar de braçada
nessa ausência absoluta de bússola política
e ou ideológica. E para apimentar ainda mais essa moqueca,
o vereador Jéferson Campos, que resiste heroicamente a
qualquer possibilidade de se aliar a Peixoto e menos ainda de
participar de seu governo, é do mesmo grupo de Vacarezza.
Dá pra entender?
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