Por que Matéria Prima
sumiu das bancas?


Uma simples nota coluna do Barão fez com que um empresário comprasse todos os exemplares das principais bancas do centro. Nessa reportagem, CONTATO revela a íntegra da nota, as opiniões das partes envolvidas e as providências jurídicas

Da Redação



      Duas horas após o hebdomadário Matéria Prima, do irreverente José Diniz Júnior, ter sido distribuído às bancas, um cidadão, pilotando um Honda Civic preto, comprou toda a edição das principais bancas centrais. O fato foi comprovado por nossa reportagem, que ouviu dos proprietários de bancas de jornal o relato sobre o desaparecimento da publicação. Era o início de uma história ocorrida em 2005, que poderia ter passado batido, caso não houvesse a tentativa de impedir a circulação de uma notícia. No fundo, uma infeliz tentativa de censurar a imprensa.
      Um telefonema de nosso diretor de redação para Diniz comprovou o que os proprietários das bancas já haviam informado. E mais, ele revelou qual nota teria provocado a venda explosiva de seu jornal, reproduzida na íntegra no box ao lado. Nossa reportagem entrou em campo para apurar os fatos. Confira.

Guerra de Boletins de Ocorrência
      Tudo começou coma denúncia feita pela cirurgiã-dentista Eugênia de Almeida Fonseca Vilela contra WZS Corretora de Seguros de Robério de tal, com endereço à avenida Emílio Winther. A denúncia se transformou em um Boletim de Ocorrência no. 1129-I-2005, feito no 1º DP, em 3 de maio de 2007. Vilela é sócia proprietária da Clínica DORSF.
      No BO consta que Vilela tinha desde 2001 uma apólice de seguro adquirida da WZS Corretora de Seguros, através de Robério. Desde então, ocorrera um único sinistro, em 2004. Por causa disso, decidiu aumentar a cobertura de R$ 7 mil para R$ 20 mil, pagando a diferença. Nos anos de 2003 e 2004, Vilela teria pago uma apólice a título de lucro cessante que, segundo consta no BO, “não existe para o caso da empresa de Eugênia, visto que somente existe para empresas que movimentam grande importância de dinheiro (milhões)”.
      Conforme o BO, Viela consultou as seguradoras Liberty Paulista de Seguros e a Marítima. Além disso, descobriu que estava pagando um prêmio por um preço superior ao praticado no mercado. E para completar o quadro, o mesmo teria se repetido em relação ao seu imóvel residencial o que teria provocado um prejuízo superior a “R$ 5 mil que, provavelmente, está de posse de Robério”.
Ouvida por nossa reportagem, a cirurgiã-dentista disse que só soube desses fatos há três anos, quando a clínica foi roubada e recebeu da seguradora uma quantia de R$ 7 mil. Como o prejuízo tinha sido três vezes mais que valor segurado, Vilela decidiu aumentar a cobertura para R$ 20 mil. Foram pagos R$ 875,00 em dois cheques de R$ 437,50. Porém, a cobertura ainda permanecia em R$ 7 mil, apesar de ter ampliado o plano.

 

      Ela conta ainda que, em 2003, pagou R 2,1 mil com três cheques de R$ 700,00. Em 2004, foram pagos R$ 2,2 mil.em quatro cheques de R$ 550,00. “Esses cheque as seguradoras não receberam porque o seguro que Robério me vendeu, o de lucro cessante, simplesmente não existia”, disse Eugênia. E desabafa: “Eu era amiga de infância do Robério. Nós nos conhecemos desde quando sua família veio do Ceará. Ele fazia um seguro normal e outro de lucro cessante. A gente nunca desconfiou. Robério tinha um escritório de corretagem de seguros e vendia seguros de várias seguradoras. Optei pela seguradora Marítima e Liberty Paulista. Descobrimos que ele não passava o pagamento à seguradora, ele ficava com todo o dinheiro para ele”, relata.
      Além do BO, Vilela também denunciou a corretora à Susep (Superintendência da Segurança Privada) e ao Sincor (Sindicato dos Corretores), em São José dos Campos. Os envolvidos já foram interrogados pela Justiça e aguardam a sentença.

Outro lado
      Segundo Robério Oliveira, proprietário da WZS Corretora de Seguros, ouvido por nossa reportagem, o seguro de lucro cessante existe. Eugênia teria recebido uma indenização por esse seguro, que cobriu os dias perdidos em razão de falha elétrica ocorrida em uma de suas máquinas. Em apenas dois anos, ela teria recebido mais de R$ 53,2 mil em seis sinistros.
      Oliveira afirma que não recebeu a quantia de R$ 875,00 pela ampliação da cobertura do plano contra roubo, como relata Eugênia. “Não recebi nenhuma quantia. Como ela tinha muitos sinistros em pouco tempo, eu disse para ela que não tinha mais o interesse em tê-la como cliente”, conta o corretor.
      “A denúncia é uma represália, porque eu não quis mais tê-la como cliente. Mas acho estranho que uma pessoa tenha sofrido seis sinistros num período de apenas dois anos. Dois deles apresentaram sombra de dúvida, o roubo em sua clínica ocorrido há três anos e o roubo em sua casa”, disse.
      “Se o plano de seguro estivesse descoberto, como ela diz, ela não teria recebido os R$ 53 mil das seguradoras. Eu tenho recibos assinados pela seguradora que provam que ela recebeu a indenização”, disse Robério, que afirma estar processando Eugênia por calúnia e difamação.
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“Seguros
      As proprietárias de uma empresa Radiológica fizeram queixa na Justiça contra o agente de seguros Robério de Oliveira por estelionato. A empresa descobriu que Robério não pagou a última parcela, apesar de já ter recebido das clientes. As proprietárias, Eugênia e Andréa de Almeida, pedem providências para que tais fatos não venham a denegrir o nome das seguradoras e lesar seus clientes”.

Fonte: Matéria Prima, edição 459