Como foi sua eleição para presidente do PSDB em
Taubaté?
Existe
um grupo que dirige o PSDB em Taubaté: Júnior (Ortiz),
Luiz Jandir, (Bernardo) Ortiz, Geraldo (Oliveira) e outros. Alguém
precisava ocupar a presidência, até para deixar o
Júnior mais solto, mais livre para fazer o trabalho dele.
Como estou no partido há muito tempo, fui convidado, justamente
para coordenar a luta do partido daqui para frente. Não
fugi da responsabilidade e aceitei fazer parte do grupo dirigente.
Quero frisar que ocupar a presidência ou estar num outro
cargo do partido é a mesma coisa para mim, o importante
é estar participando.
O
sr. é militante antigo do PSDB?
Sou
tucano da primeira ninhada. Quando estava se formando o PSDB no
país, era necessário ter uma executiva provisória
para formar a legenda. Existia um grupo em Taubaté do qual
eu fazia parte e resolvemos formar um diretório. Eu fiz
parte desse primeiro o grupo na cidade. Isso foi antes da eleição
do sucessor do Ortiz que foi Salvador Khuriyeh, eleito pelo PSDB.
Sua
eleição foi por consenso ou teve oposição?
Não
houve oposição. O candidato sairia pelo grupo que
comanda e está em ação há muito tempo.
Jandir não quis assumir e Geraldo é trabalhador
de secretaria. Então eles resolveram que deveria ser eu
o presidente, já que eu estava disponível. Uma dos
fatores que pesaram foi o fato de eu não ser candidato.
A
candidatura do Júnior já é certa?
Ele
vai ser o candidato do partido e não existe nenhuma hipótese
de que seja mudada.
Existe
a possibilidade do Bernardo sair candidato?
Foi
o Bernardo que lançou o filho. Ele tem um trabalho de muitos
anos na cidade e precisa ser seguido por alguém. Nada mais
justo do que ser seguido pelo filho. Acho justo que o Júnior
herde aquilo o pai construiu. O Júnior está mais
preparado para ser prefeito do que o Bernardo quando começou.
O Bernardo não era político, era professor universitário,
ele começou por uma imposição de um grupo
de estudantes. O Júnior não. Ele já está
se preparando faz algum tempo, fazendo curso de política,
de administração pública, etc. Ou seja, ele
já tem o caminho pronto para percorrer. Bernardo tem um
patrimônio político. É natural que ele passe
isso para o filho.
“Bernardo
tem um
patrimônio político,
é natural que ele passe
isso para o filho”
O
se começou a participar da política em Taubaté
ou no Rio de Janeiro?
Foi
no Rio para onde fui em 1961 e fiquei nove anos lá. Tudo
aconteceu nesses nove anos. Eu me formei em 1968. Colei grau cinco
dias depois do AI-5. Um grupo mais de esquerda queria colocar
Che Guevara como paraninfo, com a alegação hipócrita
de que ele era médico e por isso deveria ser paraninfo.
Com o AI-5 explodindo, como que uma faculdade federal de medicina
ia trazer o Che Guevara para como paraninfo? Então surgiu
uma oposição por parte da direção.
Surgiram outros nomes, até que em abril morreu Luther King,
veio o consenso de que ele deveria ser nosso patrono. A minha
militância política ocorreu dessa maneira, na luta
contra a ditadura. Houve a invasão da faculdade de medicina.
Em 1972, derrubaram a faculdade, colocaram no chão. E está
no chão até hoje, como represália de ter
sido lá aquele movimento todo.
E
o sr. ficou mais um ano no Rio?
Fiquei
como militar no presídio os estavam os presos de Caparaó,
na Fortaleza de Santa Cruz. Era médico do Exército
eu tava exercendo com muita honra e dignidade a minha profissão.
Quando
o sr volta em Taubaté?
Chegamos
aqui em 1970 e queríamos fazer uma participação
política. Até então não era filiado
a partido nenhum partido. Mas como o MDB estava disputando uma
eleição para prefeito, resolvemos fazer uma campanha
a favor do partido e contra Arena. E fizemos uma corrida com o
Décio de Azedo foi o candidato, teve 2001 mil votos.
O
sr era filiado a algum partido?
Só
mais tarde eu me filei ao MDB. Até porque o Francisco José
Lacerda, colega de escola, médico como eu, foi candidato
a vereador em 74. O Arnaldo (Ferreira, recém falecido)
foi eleito vereador com o nosso apoio no mandato junto com Ortiz,
em 82. Com o grupo formado, decidimos lançar alguém
como candidato. A Arena lançou três candidatos e
o MDB outros três. De repente, surgiu o Ortiz que ninguém
conhecia, porque não era político, mas professor
universitário. Reunimos um grupo na universidade que o
apoiava. Os estudantes queriam acabar com uma estrutura da universidade
que estava enraizada pela influência dos dirigentes anteriores.
O Ângelo Filippini foi quem levou o cartão do partido
para o Ortiz se filiar. Quando Ortiz se filiou, foi feita uma
reunião na casa do José Carlos Sebe para que Ortiz
pudesse se apresentar para um grupo. Ele foi questionado com certa
veemência, mas respondeu a todas nossas solicitações
com muita clareza.
Essa
relação se mantém até hoje?
Sim.
Depois o Arnaldo foi eleito vereador pelo PMDB. E ficou sendo
o líder do Ortiz na Câmara. Houve problema de cassação
e o Arnaldo segurou firme. Depois ele acabou se desligando do
Ortiz, houve um rompimento político dos dois, embora eles
se respeitassem muito. O Arnaldo cita isso no livro dele. Perguntaram
para o Arnaldo se ele estava arrependido de ter defendido o Ortiz,
mas ele disse que não e que considerava absurda a cassação.
Defendeu o Ortiz, impedindo sua cassação. Eu sempre
trabalhei com o Ortiz, ele é meu amigo pessoal. Fui diretor
em dois mandatos dele, no primeiro no último.
“Sou
amigo do Peixoto.
Quero continuar me dando bem com ele, sempre”