Dr. Paulo Pereira, recém eleito presidente do diretório do PSDB em Taubaté

“Sou tucano de
primeira ninhada”

Paulinho Pereira é uma das pessoas mais queridas na terra de Lobato. Só não é uma unanimidade porque ele é inteligente e brilhante. Isso incomoda muito pouca gente, mas incomoda. Além disso, como dizia o saudoso Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Médico, poeta, escritor, cinéfilo e possuidor de um humor invejável, Paulinho deu mais um passo: aceitou assumir a presidência do PSDB local. Confira os melhores momentos de uma entrevista que anuncia muitos e interessantes desdobramentos.

por Paulo de Tarso Venceslau



Como foi sua eleição para presidente do PSDB em Taubaté?

Existe um grupo que dirige o PSDB em Taubaté: Júnior (Ortiz), Luiz Jandir, (Bernardo) Ortiz, Geraldo (Oliveira) e outros. Alguém precisava ocupar a presidência, até para deixar o Júnior mais solto, mais livre para fazer o trabalho dele. Como estou no partido há muito tempo, fui convidado, justamente para coordenar a luta do partido daqui para frente. Não fugi da responsabilidade e aceitei fazer parte do grupo dirigente. Quero frisar que ocupar a presidência ou estar num outro cargo do partido é a mesma coisa para mim, o importante é estar participando.

O sr. é militante antigo do PSDB?

Sou tucano da primeira ninhada. Quando estava se formando o PSDB no país, era necessário ter uma executiva provisória para formar a legenda. Existia um grupo em Taubaté do qual eu fazia parte e resolvemos formar um diretório. Eu fiz parte desse primeiro o grupo na cidade. Isso foi antes da eleição do sucessor do Ortiz que foi Salvador Khuriyeh, eleito pelo PSDB.

Sua eleição foi por consenso ou teve oposição?

Não houve oposição. O candidato sairia pelo grupo que comanda e está em ação há muito tempo. Jandir não quis assumir e Geraldo é trabalhador de secretaria. Então eles resolveram que deveria ser eu o presidente, já que eu estava disponível. Uma dos fatores que pesaram foi o fato de eu não ser candidato.

A candidatura do Júnior já é certa?

Ele vai ser o candidato do partido e não existe nenhuma hipótese de que seja mudada.

Existe a possibilidade do Bernardo sair candidato?

Foi o Bernardo que lançou o filho. Ele tem um trabalho de muitos anos na cidade e precisa ser seguido por alguém. Nada mais justo do que ser seguido pelo filho. Acho justo que o Júnior herde aquilo o pai construiu. O Júnior está mais preparado para ser prefeito do que o Bernardo quando começou. O Bernardo não era político, era professor universitário, ele começou por uma imposição de um grupo de estudantes. O Júnior não. Ele já está se preparando faz algum tempo, fazendo curso de política, de administração pública, etc. Ou seja, ele já tem o caminho pronto para percorrer. Bernardo tem um patrimônio político. É natural que ele passe isso para o filho.

“Bernardo tem um
patrimônio político,
é natural que ele passe
isso para o filho”

O se começou a participar da política em Taubaté ou no Rio de Janeiro?

Foi no Rio para onde fui em 1961 e fiquei nove anos lá. Tudo aconteceu nesses nove anos. Eu me formei em 1968. Colei grau cinco dias depois do AI-5. Um grupo mais de esquerda queria colocar Che Guevara como paraninfo, com a alegação hipócrita de que ele era médico e por isso deveria ser paraninfo. Com o AI-5 explodindo, como que uma faculdade federal de medicina ia trazer o Che Guevara para como paraninfo? Então surgiu uma oposição por parte da direção. Surgiram outros nomes, até que em abril morreu Luther King, veio o consenso de que ele deveria ser nosso patrono. A minha militância política ocorreu dessa maneira, na luta contra a ditadura. Houve a invasão da faculdade de medicina. Em 1972, derrubaram a faculdade, colocaram no chão. E está no chão até hoje, como represália de ter sido lá aquele movimento todo.

E o sr. ficou mais um ano no Rio?

Fiquei como militar no presídio os estavam os presos de Caparaó, na Fortaleza de Santa Cruz. Era médico do Exército eu tava exercendo com muita honra e dignidade a minha profissão.

Quando o sr volta em Taubaté?

Chegamos aqui em 1970 e queríamos fazer uma participação política. Até então não era filiado a partido nenhum partido. Mas como o MDB estava disputando uma eleição para prefeito, resolvemos fazer uma campanha a favor do partido e contra Arena. E fizemos uma corrida com o Décio de Azedo foi o candidato, teve 2001 mil votos.

O sr era filiado a algum partido?

Só mais tarde eu me filei ao MDB. Até porque o Francisco José Lacerda, colega de escola, médico como eu, foi candidato a vereador em 74. O Arnaldo (Ferreira, recém falecido) foi eleito vereador com o nosso apoio no mandato junto com Ortiz, em 82. Com o grupo formado, decidimos lançar alguém como candidato. A Arena lançou três candidatos e o MDB outros três. De repente, surgiu o Ortiz que ninguém conhecia, porque não era político, mas professor universitário. Reunimos um grupo na universidade que o apoiava. Os estudantes queriam acabar com uma estrutura da universidade que estava enraizada pela influência dos dirigentes anteriores. O Ângelo Filippini foi quem levou o cartão do partido para o Ortiz se filiar. Quando Ortiz se filiou, foi feita uma reunião na casa do José Carlos Sebe para que Ortiz pudesse se apresentar para um grupo. Ele foi questionado com certa veemência, mas respondeu a todas nossas solicitações com muita clareza.

Essa relação se mantém até hoje?

Sim. Depois o Arnaldo foi eleito vereador pelo PMDB. E ficou sendo o líder do Ortiz na Câmara. Houve problema de cassação e o Arnaldo segurou firme. Depois ele acabou se desligando do Ortiz, houve um rompimento político dos dois, embora eles se respeitassem muito. O Arnaldo cita isso no livro dele. Perguntaram para o Arnaldo se ele estava arrependido de ter defendido o Ortiz, mas ele disse que não e que considerava absurda a cassação. Defendeu o Ortiz, impedindo sua cassação. Eu sempre trabalhei com o Ortiz, ele é meu amigo pessoal. Fui diretor em dois mandatos dele, no primeiro no último.

“Sou amigo do Peixoto.
Quero continuar me dando bem com ele, sempre”




3 geracoes de tucanos de primeira plumagem Bernardo com
Paulinho Pereira e Junior Ortiz






Liderancas femininas na convençao tucana

O sr é de esquerda?

Já escrevi no seu jornal falando sobre o que é esquerda e o que é direita. Já me perguntaram: ‘como você, um sujeito de esquerda, apóia o Ortiz’? Difícil falar o que é direita e o que é esquerda hoje. O Ortiz tem uma postura austera, rígida, representa política de direita, mas as relações políticas dele não são de direita, ele vai ao meio do povo atender reivindicações populares, aceita opinião do povo. Ele não se diz de esquerda, nem de direita. Acabou adquirindo uma inserção social muito grande. Qual o esquerdista em Taubaté que tem a inserção social que tem ele tem? Ninguém.

Qual a sua avaliação em relação à administração Roberto Peixoto?

Peixoto se perdeu numa administração que favorece pessoas, grupos, inchou a máquina. Ele perdeu o controle. No estilo mais austero do Bernardo não há o favorecimento pessoal, assistencialismo. A política do Peixoto foge um pouco desse princípio. O assistencialismo não é uma coisa correta.

Quais são seus planos políticos como dirigente partidário?

O PSDB é forte em Taubaté e evidentemente terá candidato a prefeito. Mas existe um panorama político maior. Taubaté precisa ter dois deputados estaduais e um deputado federal. Para ser eleito deputado federal, o candidato precisa ter 120 mil votos e nenhum consegue. Acho perfeitamente válido que o partido se coligue com partidos menores, para ter potenciais candidatos a deputados federal e estadual.

Como o sr vê aliança do Peixoto com o partido dos trabalhadores?

Na eleição passada houve uma discussão entre o Quércia e o José Dirceu em Brasília para decidir quem seria o candidato em Taubaté. Isso não é de hoje. Existe um grupo já preparando esse acerto. A militância do PT é contrária a isso. Essa ligação não é de Taubaté, vem de cima.

Roberto Peixoto foi eleito pelo PSDB e depois rompeu com ele. Foi um equívoco te-lo escolhido naquele momento?

Sou amigo do Peixoto, dei apoio a ele, fizemos comícios juntos. Naquele momento, o candidato era ele, não há nada de errado nisso. A onda passou, houve uma separação, ele mudou de partido. Esse é jogo da política. Nós nos damos muito bem e quero continuar me dando bem com ele, sempre.