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Luz
à vista
Por
Paulo de Tarso Venceslau
Democracia pressupõe sociedade civil consciente, organizada,
mobilizada e flexível diante das diversidades. Por isso mesmo,
a recente manifestação pública dos estudantes
e a greve da Polícia Civil podem ser um sinal, embora ainda
apenas singelo, de que o Partido dos Trabalhadores começa
a ser substituído como única referência para
os movimentos sociais
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Estudantes
da Unitau saíram às ruas, na noite de terça-feira,
14, para protestar e reivindicar. O fato em si é motivo
de alegria para alguns e de preocupação para outros.
Democracia é assim mesmo. Não dá para contentar
todos ao mesmo tempo e o tempo todo.
Essa manifestação
surge exatamente no momento em que os movimentos sociais, especialmente
o movimento estudantil, se encontram em uma encruzilhada: se assumir
como chapa branca e apoiar explicitamente o governo federal que
lhes fornece generosas contribuições com o meu,
o seu, o nosso dinheirinho, ou mostrar que são independentes
e autônomos.
A UNE, comandada há
muitos anos pelo pequenino e acomodado PC do B, não moveu
uma palha sequer para protestar e denunciar o mar de corrupção
que tomou conta de Brasília desde meados de 2005. “Não
vamos levar água para o moinho da direita”, foi o
argumento de Gustavo Petta, então presidente da entidade.
Não importa quem dirige
a UNE, uma entidade que tem uma longa e brilhante folha de serviços
e de lutas a favor da democracia. Mas incomoda assistir uma trajetória
equivocada que compromete sua história. É o preço
que se paga por admitir sem qualquer crítica uma política
de cooptação levada a efeito pelo governo federal.
Os milhões distribuídos sem maiores critérios
levaram ao acomodamento toda uma geração de jovens
que assistiram suas lideranças serem transformadas em vaquinhas
de presépio do governo de plantão.
Por isso mesmo, a democracia
só tem a ganhar com o protesto dos estudantes da Unitau
(Universidade de Taubaté) contra as mudanças no
Simube (Sistema Municipal de Bolsas de Estudos) e reivindicações
que iam desde a implantação de um bandejão
até a federalização da universidade. O movimento
teve início em frente a Reitoria e seguiu em passeata até
a Câmara Municipal que foi literalmente tomada pelos estudantes.
Passado o susto, o bom senso
predominou quando o vereador pastor Valdomiro suspendeu a sessão
e permitiu que os jovens pudessem fazer uso da tribuna. Foi uma
aula de civismo, só quebrada quando o vereador Rodson Lima
usou da força bruta para retirar o microfone de um estudante
mais radical que acusava os vereadores, indistintamente, de serem
patrocinados pela Unitau. O radicalismo infantil de um aluno,
que é militante do Conlutas, uma central sindical e de
movimentos populares, porém, não compromete a importância
e nem a justeza de suas reivindicações (ver reportagem
nas pág 8 9).
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Na
quinta-feira, 16, policiais civis saem às ruas para protestar
de novo contra o arrocho salarial imposto há mais de 14
anos pelo governo do estado. Nossa reportagem cobriu com exclusividade
a reunião de segunda-feira, 13, que delegados, escrivães,
investigadores, agentes penitenciários e carcereiros e
membros do comando de greve realizaram na sede do Sindicato dos
Bancários, em Taubaté. Nossa cidade foi escolhida
como sede desse comando por causa da participação
e engajamento desses funcionários públicos estaduais.
(Ver reportagem na pág.8 )
Nossos vereadores, no caso
dos estudantes, mostraram-se politicamente despreparados. Nem
mesmo o vereador petista Jéferson Campos soube lidar com
um cidadão com posições mais exaltadas. Salvo
o pastor Valdomiro, presidente em exercício da Câmara,
que teve um comportamento exemplar, todos os demais, sem exceção,
optaram por ameaças veladas ou explícitas ao jovem
radical. Sem falar nas medidas administrativas punitivas promovidas
de forma recorrentes por parte da reitora da Unitau.
O governo do estado, pelo
menos até o momento, não resolveu mas também
não fez qualquer retaliação contra as diferentes
categorias da Polícia Civil.
Essas movimentações
são sinais de vida saudável na tradicional e conservadora
terra de Lobato. A democracia pressupõe demandas e pressões
permanentes que devem e podem ser resolvidas ou pelo menos equacionadas
com a participação organizada das partes envolvidas.
Se assim não for, só restará a paz e o silêncio
dos cemitérios que embalam o sono de ditadores.
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