Juiz
Paulo Roberto da Silva, da Vara da Fazenda Pública, negou
o pedido de liminar do promotor José Carlos de Oliveira
Sampaio, que pede o afastamento dos 11 dos 14 vereadores da Câmara.
Esses vereadores foram acusados de votar a favor do projeto de
lei que cria cargos comissionados para a Câmara, considerado
ilegal pelo Ministério Público. A liminar pedia
também a suspensão de direitos políticos
dos vereadores, além da proibição da nomeação
de cargos criados para a assessoria da Presidência da Casa.
Três vereadores não
foram incluídos no processo. Rodson Lima (PP) encontrava-se
em férias; Maria da Graça (sem partido) provavelmente
por não ter participado de nenhuma Comissão que
pré-aprovou o projeto de lei e Maria Gorete (PSDB), a única
que não concordava com o conteúdo do projeto.
CONTATO ouviu 10 dos 14 vereadores.
Dois não foram localizados e dois se recusaram a opinar.
Veja a opinião de cada um dos ouvidos.
Maria Tereza Paolicchi (PSC) é favorável
à decisão da Justiça. “A Câmara
trabalha de maneira aberta eu acho que a Justiça deve deixar
a Câmara desenvolver seus trabalhos de maneira fluente.
Se a Mesa da Câmara acha que precisa do respaldo de assessores,
não vejo problema nisso”, disse.
Henrique Antonio Paiva Nunes (PPS) criticou o
promotor. “A Justiça fez o papel dela, o promotor
é que age com irresponsabilidade, protocolando ações
em profusão. A Justiça reconheceu nosso direito.
A ação contra Câmara era pouco pertinente.
Esse promotor vem ajuizando ações sem responsabilidade.
Para população, estamos agindo de má fé,
mas isso não é verdade”, disse.
Rodson Lima (PP), apesar não estar na
lista de vereadores que aprovaram o projeto, comemora a decisão.
“Sampaio tem tomado decisões arbitrárias que
lembram o tempo da ditadura. Ele deveria trabalhar com coisas
mais sérias em vez de fazer picuinhas para atrair brilho.
Se souber que compramos dois carros velhos ele [vai] querer interferir.
Poder sem freio não é coisa boa”, disse.
Carlos Roberto Lopes Alvarenga Peixoto (PMDB):
“Essa ação não tirou meu sono. Achei
absurdo o pedido de afastamento do Ministério Público,
que estava promovendo a ingerência da Câmara. São
dezenas de ações contra esta Casa. Mas nós
sabemos que estamos fazendo um trabalho honesto, até hoje
nenhuma irregularidade foi provada”, disse o vereador.
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Orestes
Francisco Vanone Filho (PSDB): “Foi uma decisão
sábia da Justiça, eu sabia que a ação
do Ministério Público não tinha elementos
fortes para que se pudesse conceder a liminar”.
Maria Gorete Santos de Toledo (PSDB), apesar
de ser contra a criação dos cargos, a vereadora
disse que concorda com a decisão do juiz. “Desde
o início eu era contra o afastamento dos vereadores”.
No entanto, ela é favor da apuração de possíveis
irregularidades na criação de cargos comissionados
na Câmara.
José Francisco Saad (PMDB) voltou a defender
a necessidade de criação dos cargos. “Eu não
gosto de criação de cargos, mas neste caso era preciso
fazer o remanejamento de funcionários que já trabalhavam
na Câmara. Eu já esperava a decisão do juiz.
Os poderes devem ser harmônicos entre si. Espero que esse
resultado não tire o ânimo do promotor, que é
uma pessoa batalhadora”.
Pollyana Fátima Gama Winther de Araújo (PPS):
“Foi uma decisão prudente da Justiça. Existem
processos do promotor Sampaio contra a Câmara, mas nenhum
foi a julgamento. Até agora a Câmara não foi
condenada em nada”, disse a vereadora.
Antonio Ângelo Filippini (PSDB) classificou
como desproporcional a ação do Ministério
Público. “Mesmo se fôssemos culpados, a pena
seria desproporcional. Por causa do desgaste da classe política,
resolveram nivelar a gente por baixo. Quem tem que perder o mandato
é político corrupto. É um prejuízo
muito grande para nossa imagem. Como isso será reparado?”
questiona.
Jéferson Campos (PT): “A decisão
da Justiça reforça o que eu disse anteriormente,
a Câmara agiu de acordo com a lei”. Na semana passada,
o parlamentar se mostrou favorável à criação
dos cargos. Disse que o projeto de lei foi analisado pelo jurídico,
que aprovou o documento.
Os vereadores Maria da Graça Gonçalves Oliveira
(Sem Partido) e Luiz Gonzaga Soares (PR) não quiseram comentar
a decisão da Justiça. Os vereadores Ary Kara José
Filho (PTB) e Waldomiro Silva (PTB) não foram localizados
até o fechamento desta edição.
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