Professora Lucila Barbosa, reitora da Unitau
“A manifestação não
foi representativa”

Profa. Dra Maria Lucila Junqueira Barbosa, reitora da Unitau, recebeu CONTATO para falar da manifestação dos estudantes realizada na terça-feira, 14 e esclarecer os critérios utilizados para fornecer bolsas de estudo. Acompanhe os principais trechos dessa entrevista exclusiva

por Marcos Limão



Qual sua avaliação sobre manifestação?

Qualquer movimento é legítimo, desde que seja pacífico. Todos têm direito à liberdade de expressão. Mas, a partir do momento que haja invasão da privacidade e lesão ao bem público, eu não sou favorável. Eu lamento profundamente o que aconteceu na Câmara Municipal. Enquanto a manifestação dos estudantes estava na cidade, passando pela universidade que manteve todos seus portões abertos dando a oportunidade àqueles estudantes que quisessem sair para participar da manifestação, não houve cerceamento da liberdade. 200 alunos participando da manifestação não representam nem meio por cento dos estudantes. A manifestação não foi representativa.

O movimento, então, é isolado?
O movimento é representado pelo diretório acadêmico de Medicina, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras, Pedagogia e Serviço Social. Eles movimentaram alguns alunos, os outros ficaram assistindo aula. Eu acho que é um movimento que não tem menor sentido. Mas continuo dizendo que eles têm liberdade de expressão. Não acredito que vá ocorrer na universidade o que ocorreu com a USP. Se porventura acontecer, eu pedirei reintegração de posse em 24h.

Em relação ao discurso do presidente do Diretório Acadêmico da Medicina, de que os estudantes que ficam à frente dos diretórios são perseguidos com processos administrativos, o que a senhora tem a dizer?
Isso não é verdadeiro. Já tive oportunidade de dar entrevista para o Paulo [de Tarso] falando sobre isso. O que não admitimos em hipótese alguma é quando o aluno sai do regime disciplinar da Universidade. Os alunos não são punidos porque falam mal da universidade, eles são punidos porque eles se utilizam de meios que não estão de acordo com a comunidade acadêmica. Outro aluno [da Comunicação Social] recebeu uma advertência porque desacatou professor Armando [Monteiro de Castro]. Na próxima vez, ele vai passar para outro nível de penalidade que é a suspensão. Todos alunos que infringirem o regime disciplinar serão punidos de acordo com estatuto da universidade. O Harold [estudante da medicina] sempre acha que está sendo perseguido.

 

Qual é a finalidade dos convênios com o Colégio Idesa e o Sindicato de Metalúrgicos de Taubaté?
Os convênios vão continuar, na medida em que a universidade tem que encontrar meios para diminuir a inadimplência. [E] Porque existe uma contrapartida. Nós temos convênios com as prefeituras. Em contrapartida, nós descontamos na folha de pagamento. Fizemos convênio com o Sindicato dos Metalúrgicos. A universidade não tem subsídio de nenhum governo. A receita depende único e exclusivamente das mensalidades dos alunos. Se não tivermos uma arrecadação adequada, não podemos investir na universidade, saldar nossas dívidas da folha de pagamento. Nós fizemos convênios com as indústrias e vamos continuar fazendo isso.

A Universidade não pode conceder desconto a nenhuma pessoa, somente em forma de bolsa de estudo. A bolsa concedida sai do montante destinado aos alunos carentes?
Não existe valor específico para bolsa para carente. Existe um montante dentro do nosso orçamento, que neste ano é de R$ 9 milhões para bolsa de estudo. Já atingimos R$ 11 milhões. E está englobado também a bolsa Simube. Não existe mais bolsa carência. Na realidade, a bolsa carência pode se entende como bolsa Simube, que são de R$ 2 milhões. Fora esses R$ 2 milhões para atender as bolsas carências, nós temos outros R$ 11 milhões que são destinados aos nossos programas de bolsa [conveniada].

Esse montante todo é recurso destinado para as bolsas de estudo. Qual parte é destinada aos conveniados de escolas particulares e trabalhadores sindicalizados?
São R$ 2 milhões para a Simube e R$ 11 milhões para os demais programas da Unitau. Nós temos 400 bolsas Simube. Só de bolsas estágio, nós temos 580.

Com o Sindicato dos Metalúrgicos, são quantas bolsas concedidas?
Sindicalizados hoje nós temos 813. São bolsas pontualidades.

E com o Colégio Idesa?
Tem 20 bolsas. Nós vamos continuar fazendo os convênios porque precisamos. Nós temos convênios com o CAvEx e com a 12º Brigada de Caçapava. Em 2008 será mantido o valor de R$ 2 milhões para a bolsa Simube e nós vamos dar prioridade para aquelas instituições que poderão dar contrapartida de desconto em folha [de pagamento].

Por que os alunos dos primeiros anos foram excluídos da bolsa Simube?
Nós demos prioridade pra quem estava se formando. Isso não quer dizer que não abrimos para as primeiras e segundas séries.

A prefeitura é obrigada a repassar 5 % de seu orçamente para a Universidade?
Isso nunca aconteceu, porque nunca foi cobrado. E hoje dificilmente poderá ser efetivado. Não consta nem no orçamento da prefeitura. Esse 5% que todo mundo fala, nós estamos estudando a possibilidade de [traze-lo] para a Universidade em forma de bolsa de estudo.

Por que a senhora acha que é inviável cobrar a prefeitura?
Porque não existe dentro do orçamento deles. Tem que ter uma discussão, que nós já estamos fazendo. O que interessa para nós é que essa verba venha para nós em forma de bolsa de estudo. Isso representa R$ 15 milhões em bolsa de estudo.