15 de agosto. Muito
sol de um dia de inverno com cara de primavera que tinha tudo para
ser igual àqueles que expulsaram a frente fria, gelada, de
meados de julho. Ledo engano. Nessa bela manhã, polícias
civis do Estado de São Paulo novamente cruzaram os braços
para uma paralisação de 48 horas, que pode se estender
por tempo indeterminado. Na terra de Lobato, por volta das 9 horas,
policiais civis da Região se reuniram em frente a Delegacia
Seccional e seguiram em passeata até o 1º Distrito Policial
de Taubaté.
A segunda paralisação
fora decidida um mês após uma Assembléia Geral
Extraordinária Permanente na sede da AORPM ( Associação
dos Oficiais da Reserva da Polícia Militar). Na pauta de
reivindicações consta o reajuste salarial de 48%.
Um dos líderes da greve informa: “Não é
um número aleatório. Não é um índice
que veio ao capricho do nosso pensamento, mas sim baseado no IPCA
dos últimos 5 anos, que é o índice menor que
existe. Todavia, o governo do estado está nos contemplando
com um reajuste menor.” Além do reajusta salarial,
os grevista querem também a incorporação ao
salário das gratificações, como ALE e AOL;
a recepção da Lei Complementar Federal nº 51/85;
e o pagamento da licença-prêmio, a contar da data da
edição da Lei 986/06.
Comando
da greve
Barril de pólvora.
Essa é a melhor maneira de descrever o momento grevista
vivido pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A insatisfação é grande e a mobilização,
maior ainda. Prova disso, é a histórica reunião
do Comando de Greve realizada (dia 13) em Taubaté, que
começou com a leitura de um dos pensamentos do revolucionário
pacifista Mahatma Gandhi. "A desobediência civil é
um direito intrínseco do cidadão. A desobediência
civil nunca é seguida pela anarquia. Reprimir a desobediência
civil é tentar encarcerar a consciência.”
São 19
horas e 40 minutos do dia 13 de agosto de 2007. Todos estão
na sede do Sindicato dos Bancários de Taubaté. Sete
policiais compõem a mesa da maior mobilização
das últimas décadas da polícia: José
Martins Leal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia
do Estado de São Paulo; João Batista Rebouças
Neto, presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia
do Estado de São Paulo; Jarin Lopes Roseira, membro do
Sindicato da Associação dos Professores da Academia
de Polícia; Cláudio Pereira da Silva, presidente
do Sindicato dos Carcereiros; Valter Honorato, presidente do Sindicato
dos Escrivães de Polícia do Estado de São
Paulo; André Rovegno, delegado de polícia; e Jeferson
Fernando Cabral, presidente da Associação dos Servidores
Públicos, Fundações e Autarquias.
São homens
determinados a levar adiante uma luta para recuperar seus salários
que não são reajustados há mais de 14 anos.
Ao lado deles, o Deputado Estadual Padre Afonso Lobato, da base
aliada do governador José Serra. Esse fato provocou-lhe
visíveis constrangimentos. Quando algum integrante da mesa
manifestava-se contra o governo do estado, olhava para o Deputado
como se falasse diretamente para o governador, como o fez um dos
líderes quando declarou alto e bom som: “Chega governador
José Serra. O senhor deixa se levar pela sua política
econômica de tecnocratas insensíveis e frios que
fazem cálculos a margem do sofrimento e do empobrecimento
do funcionário público.”
"Na quinta, 16, à
noite, o comando de greve informou que a paralização
era total em todas as cidades do interior paulista."
|



Acima,
manifestação na quinta-feira, 16.
Abaixo, o comando da greve reunido em Taubaté, com a presença
do deputado Padre Afonso. Da esquerda para direita: Padre Afonso,
José Leal, João Rebouças, Neto, Jarim Roseira,
Cláudio Pereira da Silva, Valter Honorato, André
Rovegno e Jeferson Fernando Cabral.

|