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Vereador Rodson Lima (PP) arranca o microfone da
tribuna na tentativa de calar o estudante Pablo Loureiro
“Não pago. Não
pago. Educação não é supermercado”
palavra de ordem mais pronunciada por cerca de 300 estudantes da
Unitau na noite de terça-feira, 14, que em passeata percorreram
as principais ruas da cidade e terminou na Câmara Municipal.
Assustados, os vereadores ordenaram que seguranças despreparados
impedissem a entrada dos universitários. Segundo os organizadores,
a intenção é chamar a atenção
da população e das autoridades para a atual situação
da Universidade de Taubaté.
O ato

Estudante concentrados em frente a Câmara
Às
19 horas e 30 minutos uma parte da manifestação se
encontra na praça do Bom Conselho. Os universitários
descem a rua ao lado do Corpo dos Bombeiros e seguem para o Departamento
do ECASE (Economia, Contabilidade, Administração e
Secretariado da Universidade), onde se encontram com o restante.
Neste momento, estão
presentes os estudantes dos cursos de Medicina, Psicologia, Serviço
Social, Ciências Sociais e Letras, História, Comunicação
Social, Nutrição e Agronomia, Enfermagem e Biologia.
Os universitários passam pelas ruas com faixas e narizes
de palhaços e recebem manifestações de apoio
dos moradores debruçados nas janelas. Uma senhora de aproximadamente
70 anos olha a multidão e ergue os dois braços freneticamente,
como se comemorasse o lugar mais alto do pódio.
A manifestação
segue para a praça Santa Terezinha e desce à rua Emílio
Whinter, em direção a Câmara Municipal.
Legislativo
Na porta da Câmara Municipal,
dois funcionários tentam impedir a entrada dos estudantes
na casa do povo. O princípio de tumulto logo na entrada preparou
todos para uma cena que viria a acontecer mais tarde, dentro do
plenário.
A princípio, os estudantes
foram tratados como golpistas. Pelo menos foi o sentimento que predominou
quando os estudantes souberam que a transmissão da TV Legislativa
fora cortada assim que eles entraram na Câmara. Nossa reportagem
apurou que a suspensão da transmissão provocou um
congestionamento nas linhas de telefone do Legislativo que não
paravam de tocar. Eram telespectadores intrigados com corte abrupto
da transmissão.
O pastor vereador Valdomiro
Arcanjo da Silva (PTB), presidente em exercício, surpreende
e mostra sensatez ao decidir suspender a sessão e oferecer
a tribuna da Câmara para os manifestantes. “Eu estou
suspendendo o trabalho da Casa para que vocês possam se manifestar.
Parabéns. A Casa está aberta para vocês. Eu,
Pastor Valdomiro Silva, estou suspendendo a sessão para vocês
se manifestarem. A TV Câmara pode entrar no ar.”

Vereadores enraivecidos com o discurso de Pablo Loureiro
Imediatamente, uma lista é
feita para ordenar o uso da tribuna. O presidente do Diretório
Acadêmico do curso de Medicina, Harold Maluf, foi o primeiro
a tomar a palavra: “Nós que estamos à frente
dos Diretórios Acadêmicos sofremos com processos administrativos,
sofremos com perseguição. E isso não é
brincadeira.”
Gabriel Hilário, do curso
Serviço Social, foi mais incisivo: “a gente na agüenta
mais ter que vir para a Câmara para pedir uma manifestação
dos vereadores. A Unitau é municipal embora ela tenha um
regime de autarquia, que deixa ela numa situação surreal.
A gente não sabe se ela é particular ou se ela é
pública. Isso serve muito em para esconder um monte de coisa.
Ela tem o pior da particular [preços das mensalidades e juros]
e o pior da pública [burocracia e falta de investimento].
Nossas reivindicações são muitas. É
um absurdo a Unitau dar bolsa de 25% de desconto para quem vem do
[colégio] Idesa, que é uma escola paga e cara, enquanto
tem muita gente que está abandonando o curso porque não
pode pagar. O recado maior foi dado hoje. Os estudantes ocuparam
as ruas e mostraram as suas reivindicações.”
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Confusão
Harold Maluf, presidente do DA da Medicina
dirige a sessão
O presidente do Centro Acadêmico
da Comunicação Social, Pablo Schettini Loureiro,
tumultua a sessão com seu discurso: “Não adianta
a gente falar dos problemas da Unitau, porque a Câmara sabe
dos problemas que existem. Por mais de uma vez nós viemos
aqui e não fomos atendidos. Aqui existe um acordo entre
todos os partidos aqui representados. Todos os partidos têm
acordo eleitoral e não podem federalizar a Unitau porque
depois eles vão ter problemas para financiar as suas campanhas.
Nós sabemos muito bem como acontecem as campanhas.”
A reação é
imediata. A desordem toma conta da Casa. Da Mesa Diretora, Ângelo
Filippini (PSDB) e Henrique Nunes (PPS) apontam seus dedos e protestam.
O vereador Rodson Lima (PP) vai até a tribuna e literalmente
arranca o microfone do lugar na tentativa de calá-lo. Já
o petista Jeferson Campos parte pra cima do estudante, mas é
contido. A linha que divide o campo da força e o das idéias
quase foi rompida.
Após o incidente, Jeferson
Campos usa a tribuna para pedir desculpa e diz que ficou ofendido
com as palavras do estudante e que não quer ficar com a
imagem de uma pessoa agressiva.
DCE
O DCE (Diretório Central
dos Estudantes) da Unitau não quis participar da manifestação.
O presidente da entidade, Carlos Alberto da Silva Júnior,
foi procurado diversas vezes, mas não foi encontrado.
Reivindicações
A principal bandeira levantada
pelo Movimento Estudantil é a federalização
da Universidade de Taubaté. Para concretizar seu desejo,
o Movimento Estudantil declara estar aberto para receber apoios
de partidos, políticos, comunidades, sindicatos, entidades
e cidadão comum.
Existe também a necessidade
imediata da construção de um bandejão, de
se pagar salário dignos para professores e funcionários,
do fim das taxas administrativas, da redução no
valor das mensalidades (consideradas abusivas pela Defensoria
Pública do Vale do Paraíba), transporte gratuito
para os universitários que estudam no Departamento da Agronomia
na estrada de Sete Voltas, da revisão do processo de bolsas
através do SIMUBE (Sistema Municipal Único de Bolsa
de Estudo) que passou a excluir os alunos dos primeiros anos.
Além disso, os estudantes
pedem o fim dos convênios firmados com uma escola particular
da cidade e com o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté.
Pelo convênio, estudantes oriundos do colégio particular
podem estudar na Unitau com desconto de até 20% no valor
da mensalidade. Segundo os universitários, engana-se quem
usa a palavra “desconto” para falar da redução
da mensalidade, pois, segundo a legislação, a Universidade
não pode conceder qualquer tipo de desconto.
Entrevista
A
Reitora da Universidade de Taubaté, Profa. Dra. Maria Lucila
Junqueira Barbosa critica o movimento em entrevista exclusiva
para CONTATO, na quinta-feira, 16, dois dias após a manifestação.
Leia os principais trechos na página 7.
Outro
Lado
Em nome da Reitora, a assessoria
de imprensa da Universidade de Taubaté divulgou a seguinte
nota sobre as reivindicações.
1) não é possível implementar um refeitório
para os alunos, “bandejão”, porque a UNITAU
não recebe subsídio público para tanto;
2) a federalização é demagogia política.
3) o aumento de mensalidade abusivo é uma inverdade. O
último aumento de mensalidade que houve na UNITAU foi em
2005 e foi com base na legislação federal. A Reitora
ressaltou que também não haverá aumento no
valor das mensalidades em 2008;
4) quanto à rematrícula dos inadimplentes, esse
procedimento já é feito sistematicamente, desde
que seja realizado um acordo [para quitar o débito] com
o aluno;
5) quanto ao reajuste salarial de professores e funcionários,
disse que defende o reajuste, mas que depende do comportamento
do orçamento.
6) quanto ao Simube, o aluno que quiser denunciar uma bolsa recebida
sem o devido merecimento, pode fazê-lo por meio de um formulário
disponível na Pró-reitoria Estudantil, no qual o
estudante não precisa se identificar.
7)quanto às parcerias realizadas com instituições
de ensino, com vistas aos descontos na mensalidade, a Reitora
ressalta que essa política foi adotada para reduzir a inadimplência,
que ainda é alta;
8) quanto à extinção das taxas administrativas,
afirma que isso não é possível, porque as
taxas já foram reduzidas, mas existe um custo e esse custo
tem de ser cobrado.
9) em relação ao transporte para os alunos dos cursos
de Agronomia, Nutrição e Engenharia de Alimentos,
a UNITAU fornece, gratuitamente, ônibus aos universitários.
No início do ano, porém, há uma sobrecarga.
Mas, a partir do segundo bimestre não há mais problemas
com espaço no ônibus. 
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