
Em
2006, a Prefeitura não cumpriu um acordo com o Clube de
Ciclismo de Taubaté, quando deixou de repassar de uma hora
para outra uma ajuda de custo para a equipe campeã competir
e para ajudar na organização do campeonato local.
Era o início de uma crise que está prejudicando
a modalidade esportiva que tem obtido excelentes resultados. O
acordo feito em novembro de 2005 previa o repasse, em 2006, de
R$ 40 mil para a equipe e mais R$ 20 mil para o Campeonato Taubateano
de Ciclismo e mais condução.
O mesmo projeto
foi apresentado para as empresas privadas Feijão Tarumã,
Unimed, Prolim, Sedisa e Pedal Bike Shop que cotizaram R$ 30 mil.
Enquanto que com as empresas todo acordo é feito por escrito,
o mesmo não acontece com a prefeitura onde tudo é
apenas apalavrado. “A má fé é muito
grande”, desabafa Fernando Monteiro, presidente do Clube
de Ciclismo.
Em 2006, enquanto
os patrocinadores pagaram religiosamente em dia a PMT só
pagou a primeira uma parcela de R$ 4 mil no dia 5 de abril, recursos
que deveriam ter sido liberados em março. Devido aos atrasos
nos pagamentos, o Clube negociou a liberação da
verba com o prefeito Roberto Peixoto (PSDB) e o valor foi reduzido
para R$ 45 mil. Em junho deste ano, a Diretoria de Esportes informou
que o patrocínio seria suspenso e que o repasse só
poderia ser feito a partir de um contrato de subvenção
e convênio. Diante disso, os atletas comunicaram que não
querem mais ajuda da municipalidade enquanto não forem
pagos os subsídios atrasados.
Estragos
Sem patrocínio,
os esportistas tiveram que usar recurso próprio para participar
das provas que se sucederam. Muitos deixaram de competir devido
à falta de verba. O número de atletas inscritos
em campeonatos caiu de 26 para 9. “É a primeira vez
que isso acontece. O ciclismo é a modalidade que trouxe
mais resultados para Taubaté”, reclama o presidente
do Clube de Ciclismo.
Indignado, Fernando
Monteiro alega “má fé [por parte] da prefeitura”
e lança um manifesto de repúdio contra prefeitura.
“A administração pública não
está preocupada com o esporte, não cumpre com seus
acordos. O valor combinado inicialmente era de R$ 60 mil, mas
acabou sendo rebaixado para R$ 45 mil. A prefeitura ainda nos
deve, mas eu não creio que iremos receber essa quantia.
Como vamos fazer uma parceria com alguém que não
cumpre com o que não é combinado?”, critica
Fernando.
Os recursos para
essa equipe de ciclismo são residuais quando comparados
o orçamento de R$ 1,5 milhão ano, da equipe de São
José dos Campos, do quais cerca de R$ 650 mil são
pagos pela prefeitura através do Fundo do Esporte Amador.
“Todos atletas de visibilidade têm patrocínio
das prefeituras. No esporte temos despesas fixas, com equipamento,
hotel, alimentação, uniforme, transporte...”,
disse.
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Estrelas
Em atividade desde
década de 70, a equipe comandada por Fernando Monteiro
tem destaques como William Ferreira Leite, de 13 anos, que corre
na categoria infanto-juvenil e está invicto no Campeonato
Paulista de Resistência e na Copa Sundown de Ciclismo. Outro
esportista com bons resultados é Fernando Valério
Camargo Ortiz, de 16 anos, campeão da 64ª Promessa
Olímpica, em julho, na USP (Universidade de São
Paulo).
O grupo ainda
conta com Flávio Wagner Cipriano, de 17anos, que conquistou
a medalha do bronze do Campeonato Interestadual de Pista. Ele
foi a grande revelação da competição
realizada em junho, em Caieiras. No ano passado, ficou como a
medalha de bronze no Campeonato Paulista de Resistência.
Ricardo Venturelli,
máster A1, e João Paulo Ferreira de Assis, sub-30,
ganharam ouro no Campeonato Brasileiro de Estrada, disputado em
Joinvile, SC. Além disso, Venturelli foi bronze na categoria
Máster A 1, disputado em Mar del Plata, na Argentina. Já
Flávio Vagner, juvenil, e João Vitor, infanto-juvenil,
foram bronze no Campeonato Brasileiro de Estrada, disputado em
Peruíbe, SP.
Justificativa
O diretor de Esportes,
Geraldo Faria, disse que repasse foi suspenso em junho por exigência
do Conselho de Administração dos Municípios
– um órgão consultivo das prefeituras –
que orientou a prefeitura a subsidiar apenas entidades a partir
de um contrato de subvenção. Para isso, o Clube
deveria regularizar sua documentação. “Tivemos
que paralisar o pagamento até que houvesse uma adequação
da entidade às exigências do Conselho. Pedi ao clube
que diminuísse os gastos, que reduzisse o número
de participações em campeonatos, mas essa proposta
não foi aceita”, disse.
Segundo Faria, o ciclismo consumia a maior parte dos recursos
das 28 modalidades esportivas mantidas pela prefeitura. “Um
esporte de alto rendimento como é ciclismo deveria buscar
parceiros no setor privado. Temos outras modalidades, não
podemos ajudar o ciclismo para deixar as outras modalidades descobertas”,
justifica.
“O que nós
oferecemos não é exatamente um patrocínio,
mas uma ajuda de custo, não existe um contrato e, portanto,
não temos a obrigação de repassar a quantia.
Quando surgiram as novas exigências do Conselho, tentei
negociar com o presidente do Clube, mas ele era muito intransigente,
não quis mais dialogar”, disse Faria.
Faria disse que
sua gestão dá prioridade aos projetos em esporte
social, como as escolinhas de iniciação, o projeto
Esporte Juventude, Ametra e escolinha de futebol de campo. A prefeitura
ainda mantém o projeto Quadra-Viva, que atende 2,7 mil
jovens entre 7 e 14 anos. A Diretoria de Esporte tem um orçamento
anual de R$ 3,2 milhões. A maior parte dos recursos são
consumidos na manutenção de campos e quadras (a
cidade possui 320). Cerca de R$ 1,2 milhão é gasto
com folha de pagamento.

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