Da
redação, da reportagem local, do enviado especial.
Existem mil maneiras de assinar uma matéria sem citar o
nome do autor. Em geral, omite-se o nome do repórter em
casos onde a apuração foi feita a muitas mãos
e escrita por um redator (ou pelo editor), quando a mesma pessoa
já assinou diversas reportagens na mesma edição
ou quando a nota é tão curta que não se justifica
uma rubrica. Assim é a prática, mas não a
teoria. Pelo menos para os teóricos e militantes do direito
autoral, toda matéria, por menor que seja, tem que ser
assinada.
Entre os dias 3, 4 e 5 de
agosto, em Vitória, esse foi um temas mais debatidos entre
os jornalistas que participaram do Congresso Extraordinário
dos Jornalistas, organizado pela FENAJ e que remodelou o código
de ética da profissão.
O fotógrafo Adalberto
Diniz é o grande líder do movimento em defesa do
direito autoral. Ex-diretor da FENAJ, ele é secretário
executivo e um dos fundadores da Associação Brasileira
de Propriedade Intelectual dos Jornalistas, a APIJOR, além
de autor do livro “Direito autoral na comunicação”.
As opiniões de Diniz são radicais e, em alguns casos,
parecem distantes do mundo real. “Toda matéria tem
que ser assinada, não importa o tamanho. O que não
for assinado é do patrão. Usar ‘Da redação’
na assinatura ainda é muito comum, mas as ações
se avolumam. A multa dói no bolso. Os jornais não
respeitam os direitos autorais dos fotógrafos e dos jornalistas.
Minha opinião assusta, mas não desagrada. Assusta
os patrões, as cabeças coroadas, os famosos”,
dispara.
Diniz é um fotógrafo
a moda antiga. Trabalha até hoje com câmera analógica
e sempre guarda os negativos como garantia. Suas posição
intransigente já o fez perder trabalhos importantes. Na
Petrobrás, ele quis cobrar pelos negativos. A empresa abriu
mão, mas nunca mais o chamou para trabalho nenhum.
“O fotógrafo
é pressionado a abrir mão dos direitos autorais.
Depende da fome de cada um”, diz o diretor da APIJOR. Diniz
conta que “só em São Paulo existem mais de
40 processos de direito autoral”. Entre os casos mais emblemáticos
está o de um fotógrafo que fez um trabalho como
freela para uma empresa, que cedeu a foto para a Bolsa de Valores
de São Paulo. A Bolsa, por sua vez, fez um relatório
de fim de ano e usou essa foto. “O colega entrou com ação
e ganhou. A bolsa ofereceu R$ 100 mil por uso indevido. Ele não
aceitou. O processo ainda está rolando”.
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Assim como condena o crédito
`Da redação´ ou ´Da reportagem local´,
Diniz também reclama da falta de créditos para fotógrafos.
“A lei diz: toda foto tem um autor. Uma pessoa física
que é o pai daquilo. Assinar como arquivo, banco de dados
ou divulgação é um absurdo. Isso não
existe. O fotógrafo precisa sempre guardar o negativo.
No caso do digital, existe perícia para comprovar a autoria”.
O Rei está certo?

O líder do movimento
em defesa dos direitos dos autores gosta mesmo de uma polêmica.
"O Roberto Carlos tem toda razão de impedir aquela
biografia não consentida. Qualquer cidadão tem esse
direito. Ele fez muito bem. A questão é constitucional.
Ele não quer divulgar, relembrar questões na vida
dele. No jornal, pode. Já o livro é diferente. A
informação tem que circular livremente. O livro
não”.
Outro personagem que também
merece ter sua privacidade preservada, segundo Diniz, é
Fernandinho Beira Mar. "O Fernando Beira Mar ganhou uma ação
por uso indevido de sua imagem contra o jornal O Dia e outra contra
a Rede Globo. Ele é um sentenciado que tem processos em
andamento. Mas tem outros direitos. Uso de imagem é diferente.
Enquanto preso, o Estado tem que preservar a imagem dele”.

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