Duas questões sobre o começo do Universo

Existem, muitas perguntas sobre a origem do universo. A teoria mais aceita estima que ele formouse cerca de 14 bilhões de anos atrás, com a expansão chamada Big Bang. Um amigo meu perguntou-me onde teria ocorrido o Big Bang e se estariamos no centro do universo

      ONDE ACONTECEU O BIG BANG?

      A luz viaja a 299.792,5 km por segundo. Assim, ela traz-nos aos olhos a imagem dos objetos com um certo tempo de atraso. Por exemplo, Alfa de Centauro, a estrela mais próxima de nós, encontra-se a 4 anos-luz. Significa que a luz viajou durante quatro anos para nos trazer a imagem de Alfa de Centauro. Portanto, hoje vemos essa estrela tal como era há quatro anos. Assim, se ela explodir hoje, só viremos a sabê-lo daqui a quatro anos.
      Quanto mais longe olharmos no espaço, mais longe veremos no tempo. O que se passará se olharmos a 14 bilhões de anos? Deveríamos ver o que se passou nesse momento, isto é: deveríamos ver o Big Bang no seu início! E isso em todas as direções. Em teoria, estamos cercados pela imagem desse instante inicial: o Big Bang estende-se em todo o fundo celeste
Mas, na sua infância o Universo era opaco. Foi só ao fim de 300 mil anos que se tornou transparente. Temos já a imagem desse momento: é a famosa Radiação Cósmica de Fundo- RCF- a 3Kelvins apreendida pelo satélite COBE.
      Os dados obtidos a partir de tal satélite foram usados para estudar a distribuição da radiação no céu cerca de 300 mil anos após a origem do Universo. A RCF pode ser considerada um resíduo dos estágios iniciais do Universo, uma espécie de “eco” da expansão inicial. Ela está associada a uma época em que o Universo ainda era muito jovem (muito antes de surgirem as primeiras estrelas, planetas ou galáxias), quando a matéria era predominantemente constituída por prótons e elétrons que formavam uma espécie de “gás primordial”. (Na figura:imagem da radiação RCF do Big-Bang capturada pelo COBE)

      O mapeamento da RCF é importante para explicar a formação das estruturas no Universo, como as galáxias. Por detrás dessa radiação, não podemos ver nada, há como que um muro de brumas: é o limite do Universo observável. Nunca saberemos do que se passa por trás desse muro, quaisquer que sejam os progressos dos telescópios.
      O instante zero está então escondido para sempre. É inútil tentar procurar o “lugar” do céu onde teve lugar Big Bang. Com efeito, todos os lugares que hoje nos parecem muito afastados uns dos outros constituíam na sua origem o mesmo lugar. Nesse sentido, nós continuamos sempre DENTRO do Big Bang.
O Universo observável hoje é uma esfera de 14 bilhões de anos-luz de raio, centrada sobre nós. As zonas mais longínquas que podemos observar apareceram 300 000 anos após o Big Bang, no momento em que a luz se libertou da matéria. Eis o porquê do espaço estar revestido pela radiação cósmica, como revelou o satélite COBE.

      ESTAMOS NO CENTRO DO UNIVERSO?

      Os astrônomos adotaram um princípio fundamental, o “princípio da homogeneidade”, que diz: “o Universo é homogêneo e isotrópico”. Tal princípio afirma que o Universo é igual por todo, que oferece o mesmo espetáculo de qualquer ponto (homogêneo), em todas as direções (isotrópico), na condição de ser observado a uma enorme escala, como os enxames de galáxias. Cada posto de observação (a nossa Terra ou a Alfa de Centauro ou qualquer outro lugar) é equivalente a todos os outros; não há, portanto, centro pois o centro seria, por definição, um ponto privilegiado. Também não há em cima ou em baixo, nem direita ou esquerda no Universo. Devido a isso a RCF, atinge a Terra vinda de todas as direções e pode ser detectada, por exemplo, por um aparelho de TV, que corresponde a algo em torno de 3% do ruído eletromagnético recebido por um televisor.