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Em 1977, a ditadura dava os
primeiros sinais de esgotamento. Muita gente ainda iria morrer até
seu féretro em 1985 quando o general João Batista
Figueiredo, aquele que preferia cheiro de cavalo ao do povo, saiu
pelas portas dos fundos do Palácio do Governo para não
passar a faixa para José Sarney, vice de Tancredo Neves que
morreu antes de assumir a presidência da República,
para a qual ele havia sido eleito de forma indireta.
Em 1977, personalidades das
mais variadas origens articulavam um movimento democrático
que contribuísse para encurtar a vida do regime militar que
abril daquele ano fechara o Congresso e continuava efetuando prisões
arbitrárias como a do cineasta Renato Tapajós e cassações
como as dos deputados Marcos Tito e Alencar Furtado.
Em 1977, a Faculdade Direito
da USP comemoraria 150 anos e os festejos oficiais estavam a cargo
de Alfredo Buzaid, ministro de Justiça do governo comandado
pelo general Garrastazu Médici. Foi nesse cenário
de incerteza política que o professor direito Goffredo da
Silva Telles foi convidado para ler um manifesto em defesa da democracia.
Goffredo da Silva Telles era
e foi o nome ideal para assumir a pposição que assumiu.
Ele inspirava respeito, era isento e, mais importante, não
tinha qualquer vínculo com a esquerda. Apesar dos riscos,
ele aceitou o desafio que representava o anseio de muitos professores
daquela escola. “O pedido veio ao encontro de um ideal que
tinha no coração há muito tempo", lembra
Flávio Bierrenbach, hoje ministro do Superior Tribunal Militar.
A “Carta ao Brasileiros”
foi subscrita por centenas de personalidades. O único critério
era evitar que figuras conhecidas de oposição ou perseguidos
políticos aparecessem. Por isso, nomes com Almino Afonso,
ex-ministro de João Goulart, presidente deposto pelos militares,
e Plínio Arruda Sampaio, sobrinho de José Luis Soares,
ex-prefeito de Taubaté, que fora exilado no Chile e Europa
não constam da lista de assinaturas.
Em 1977, Lula era presidente
do Sindicato do Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
Não há qualquer registro de que ele, na ocasião
tenha se interessado pelo tema. Ele só se engajaria no movimento
pela redemocratização do Brasil durante as históricas
greves que tiveram início dois anos após a leitura
da “Carta aos Brasileiros”.
O Brasil não seria o
mesmo depois da leitura desse documento. As pessoas começaram
a perder o medo. As eleições de 1978, embora limitadas
e sem a presença de partidos políticos criados por
livre vontade de seus filiados, registraram derrotas para o regime
militar. Era o começo do fim da ditadura militar.
Na quarta-feira, 8, foi lançado o livro “Estado de
Direito Já”, escrito por antigos alunos da Faculdade
do Largo de São Francisco, para celebrar os 30 anos da “Carta
aos Brasileiros”
Leia
“Carta aos Brasileiros´” na íntegra em
clicando aqui.
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Fotos
da leitura da “Carta aos Brasileiros” na Faculdade
de Direito
da USP em 8 de agosto de 1977
Momentos
diferentes de várias comemorações realizadas
por ocasião de aniversários da leitura da “Carta
aos Brasileiros” pelo jurista Gofredo da Silva Telles.
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