Quase meio milhão
de cidadãos já assinaram o manifesto que pede para
os parlamentares em Brasília não aprovarem a prorrogação
da CPMF, um imposto batizado de contribuição para
não ser compartilhado com estados e municípios, criado
em 1996 para resolver o problema de saúde pública
no Brasil. Quem quiser participar, basta entrar no site http://www.contracpmf.com.br
e assinar.
Depois de muitas
idas e vindas, a CPMF tem dia, mês e hora para ser enterrada:
31 de dezembro de 2007. A insaciável fome arrecadadora dos
tucanos, porém, foi superada pelo governo do Partido dos
Trabalhadores que quer não só dar-lhe uma sobrevida
até o fim do segundo mandato de Lula, como transformá-la
em Imposto permanente.
Esperança para a saúde
Em meados do primeiro
mandato de Fernando Henrique Cardoso, seu então ministro
da Saúde Adib Jatene diagnosticou que a saúde no
Brasil se encontrava em estado terminal. Com apoio desse emérito
e respeitável cirurgião, o governo criou em outubro
de 1996, por meio da Lei nº 9.311, a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
– CPMF - com objetivo financiar exclusivamente ações
e serviços de saúde.
Dois ou três
meses após sua aprovação, Jatene foi informado
que aqueles recursos não seriam mais destinados com exclusividade
para a saúde. Era o início de um desvirtuamento
que dura até hoje. E se não houver nenhum movimento
contrário, a tendência é que se perpetue e
se transforme em um imposto.
Desde sua criação
a CPMF foi prorrogada três vezes, tendo arrecadado até
hoje aproximadamente R$ 186 bilhões. De lá para
cá, o Sistema Único de Saúde não apresentou
avanços significativos que justificassem todo o valor arrecadado.
Além disso, em 11 anos, a alíquota sobre o valor
da CPMF passou de 0,20% para 0,38%. Em 2005, a Contribuição
atingiu a fabulosa quantia de R$ 29,2 bilhões. No ano seguinte
pulou para R$ 32 bilhões e esse ano, até julho,
já arrecadou quase 20 bilhões. Cerca de metade dessa
quantia é arrecadada em São Paulo.
Xô CPMF
As entidades que
prestigiaram o lançamento da Frente Estadual de
Vereadores contra a CPMF não economizaram críticas
ao movimento explícito do governo federal para cooptar
votos necessários no Congresso Nacional para aprovar com
urgência a prorrogação desse imposto camuflado
de contribuição.
Confira
algumas opiniões emitidas no evento.
“A CPMF pesa mais para quem ganha
até 2 salários mínimos do que para quem ganha
mais de 20 porque ela está embutida em todos os produtos.
Mas o dinheiro não vai para a saúde como deveria
ir. Por que então recriá-la?” Paulo
Skaf, presidente da FIESP
“Lula
(então candidato) e Palocci (então futuro ministro
da Fazenda) prometeram que não haveria aumento de carga
tributária. Pelo menos que cumpram o que prometeram.(...)
Podiam aprender com Santo Agostinho que disse: Prefiro os que
me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me
corrompem". Cláudio Vaz, presidente do CIESP
“Dois
ou três meses depois de aprovada a CPMF em 1996, Adib Jatene
(então ministro da Saúde) foi informado que aqueles
recursos não iriam mais para a saúde. (...) Onze
anos depois, o orçamento para saúde caiu 11 %”.
Celso Jatene, sobrinho de Adib Jatene, vereador em São
Paulo.
“O
montante de recursos que saiu pelo ralo da corrupção
– valerioduto, Georgina (escândalo da Previdência),
aloprados, infraero, etc. é muito maior do que tudo o que
já foi arrecadado pela CPMF”. Antônio
Carlos dos Reis – Salim, dirigente da União Geral
dos Trabalhadores – UGT.
“O
que vale é o pacto com a sociedade. Eu cansei de tanta
prorrogação da CPMF. O governo que reduza seus gastos
em vez de aumentar impostos”. Luís Fávio
D’Urso, presidente da OAB.
|
|