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para conferir a destruição passo a passo
Manhã
de sábado, 14. Toca o telefone. Do outro lado da linha, indignada,
uma pessoa relata o corte de mais uma árvore centenária
na cidade. O endereço é Avenida Maria Aparecida Marcondes
de Araújo, no bairro Bosque Flamboyant, próximo à
linha do trem e à avenida Itália.
Própria para parques
e praças, a árvore agredida é popularmente
conhecida como seringueira. Sua principal característica
é a presença abundante de látex, usado na fabricação
da borracha. Originária da Ásia Tropical, ela é
uma árvore de tronco volumoso, revestida de casca lisa da
cor pardo-escura, com possibilidades de formarem troncos secundários.
As folhas são verdes brilhantes. Os frutos são cilíndricos,
com cerca de 2 cm.
Essa maravilha da natureza foi
destruída por uma empresa que se recusou informar sua razão
social. No sábado, foram cortados os galhos mais altos. Caminhões
da prefeitura foram vistos no local para ajudar a empresa na destruição
da árvore, segundo uma testemunha ocular que não quis
se identificar. O dia todo não foi suficiente para podá-la.
Na segunda-feira, 16, a devastação
continuou. Na terça-feira e quarta, a rotina foi a mesma.
Na quinta-feira, 17, pouco antes do fechamento dessa edição,
duas enormes máquinas escavavam no entorno de suas raízes.
O registro fotográfico é a prova mais evidente desse
que pode ser mais um crime ambiental.
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Prefeitura
O
Palácio Bom Conselho não deu qualquer respostas
aos emails e telefonemas disparados por nossa reportagem. Um jovem
que disse chamar-se Gustavo e ser filho do dono da construtora
afirmou que tinha autorização tanto da prefeitura
quanto da Polícia Ambienta. Para isso, a empresa teria
fornecido cerca de 200 mudas de plantas. Mas Gustavo não
soube informar a data nem o local onde as mesmas seriam ou foram
plantadas. Qualquer semelhança com a devastação
feita nas árvores frutíferas do Casarão dos
Guisard não é mera coincidência.
No
lugar da seringueira, será erguido um prédio de
seis andares, autorizado pelos órgãos competentes,
segundo Gustavo.
Agrônomo
CONTATO
convidou o agrônomo João Carlos Nordi para avaliar
a planta destruída. Nordi identificou-a como um Fícus
elastica Roxb, popularmente conhecida como seringueira e seringueira
de jardim. Sua madeira pode ser usada na fabricação
de pequenos móveis. Mas não foi o que aconteceu.
CONTATO estava presente em diversas etapas de eliminação
da árvore e constatou que a madeira seria usada para alimentar
os fornos de uma fábrica de tijolos.
Discussão
Na
edição nº 324, CONTATO mostrou a devastação
que aconteceu em uma propriedade considerada patrimônio
histórico e ambiental da cidade, conhecida como Casarão
dos Guisard, na Avenida Tiradentes, em frente ao Palácio
Bom Conselho que nada fez para impedir aquele crime ambiental.
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