O
alagoano José Romildo Ferreira Santos, um pistoleiro de
aluguel, réu confesso, havia seis meses que estava escondido
no bairro Gurilândia, em Taubaté, onde pretendia
fixar residência com sua família. Santos foi recapturado
na tarde de terça-feira, 12, por três agentes da
Polícia Civil de Alagoas. O jagunço havia fugido
de um presídio Cyridião Durval, em Maceió,
em Alagoas, onde cumpria há 2 anos e 10 dias pena por assassinato.
Estava escondido na casa de uma irmã em Taubaté.
José Afrânio é
agente da Polícia Civil de Alagoas. Ele conta que desde
a fuga de Santos do presídio em dezembro de 2006, o acusado
estava sendo monitorado pela policia alagoana que pediu o apoio
ao delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais)
Taubaté, doutor Marcelo Duarte Ribeiro. "Com o apoio
de fotos e vários dias de investigações conseguimos
localizar o acusado, que acabou confessando o crime” contou
o delegado.
Agentes da DIG localizaram o endereço do esconderijo e
enviaram para Alagoas as informações necessárias
para encontrá-lo. Na manhã de terça-feira,
três agentes alagoanos chegaram a Taubaté e seguiram
direto para Gurilândia onde efetuaram a prisão. O
delegado ainda acrescentou que Ferreira tentou reagir e resistir
à prisão: "Ele achava que éramos pistoleiros
e que iríamos matá-lo. Foi preciso nos identificar
para que ele ficasse mais calmo".
Na delegacia, José Romildo
confessou, novamente, o crime aos policiais e à imprensa.
Reafirmou ter sido contratado pelo ex-prefeito Mário César
Vieira, da cidade Senador Rui Palmeira – AL, que lhe forneceu
a arma do crime e 3 mil reais. Porém, segundo o pistoleiro,
depois do crime ele não recebeu o dinheiro porque quando
chegou ao local combinado para a entrega, ao invés do dinheiro,
dois homens o esperavam para matá-lo. Seria uma queima
de arquivo. Só não o assassinaram por acaso do destino:
ele chegou de carro e não de moto conforme estava previsto.
Assustados com a aproximação de um carro, eles fugiram
pensando ser a polícia. O carro havia sido furtado por
José Romildo que, nervoso após o crime, perdeu a
chave da moto que usaria para fugir.
O crime
Nas
eleições de 2004, a pequena Senador Rui Palmeira,
cidadezinha localizada no interior de Alagoas, elegeu para prefeito
Siloé de Oliveira Moreira (PSB). No dia 22 de dezembro
daquele ano, dez dias antes de Mário César, então
prefeito de Senador Rui Palmeira, passar o cargo ao atual prefeito
Siloé de Oliveira Moreira, o jovem Wilson Oliveira, filho
de Siloé, foi assassinado com dois tiros por José
Romildo. Os disparos a queima roupa foram dados dentro de um bar.
O autor foi preso em flagrante e acusou como mandante do crime
o prefeito Mario César, que ficou sete meses preso e depois
liberado.
Os agentes e o acusado viajaram na noite de quarta-feira, 13,
de volta a Alagoas, para apresentar José Romildo ao diretor
geral da Polícia Civil daquele Estado, Carlos Alberto Reis.
Terror
Meses depois de empossado, o prefeito
Siloé Moura admitiu estar com medo de morrer e quase de
renunciou ao cargo. E por pouco não saiu de Alagoas. “Ainda
vou resolver o que fazer. Não vou mentir, estou com medo,
assombrado mesmo. Quem não estaria?” indagou o prefeito
à Gazeta de Alagoas. Na mesma ocasião, ele contou
que o medo surgiu por causa de um comentário da esposa
de José Romildo, que estava preso no presídio Cyridião
Durval, em Maceió. “Ela disse que eu deveria me preocupar
em aumentar o cemitério. Todo mundo na cidade ouviu”.
Siloé Moura informou à
GAZETA que o grupo político comandado pelo ex-prefeito
nunca se conformou de ter perdido as eleições em
2004. “Eles nunca perderam as eleições em
Senador Rui Palmeira. Durante vários anos ficaram no poder,
mas agora estão revoltados por eu ter vencido”, afirmou.
Os assassinos do seu filho “são capazes de tudo para
voltar ao poder”.
A prisão do pistoleiro não
deverá levar sossego para os moradores de Gurilândia
e adjacências. Policiais civis e militares estão
cansados de alertar sobre a vinda de pessoas ligadas aos presos
e organizações criminosas para esses bairros.